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"Lutar, lutar, lutar": documentário sobre história do Atlético-MG estreia em festival de Roterdã

Filme de 110 minutos conta a história do clube "forjado na injustiça", lembrando derrotas históricas nas décadas de 1970 e 1980 até à redenção com Libertadores e Copa do Brasil

Por Redação do ge — Belo Horizonte


Nesta quarta-feira, enquanto o Atlético-MG se prepara para enfrentar o Remo em Belém, na Copa do Brasil, o filme "Lutar, Lutar, Lutar" será apresentado no Festival Internacional de Roterdã, na Holanda. O documentário de 110 minutos, dos diretores Helvécio Marins Jr. e Sérgio Borges, aborda a história do clube fundado por estudantes em 1908, as derrotas doloridas nos tempos de Reinaldo e a redenção com Ronaldinho e companhia nos tempos mais recentes.

Há entrevistas com ex-dirigentes, como o atual prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que vivenciou os tempos mais amargos, quando era filho do presidente Elias Kalil, e ascendeu ao poder numa fase de crise até atingir às glórias.

O filme também passa bom tempo nas derrotas das finais do Brasileiro de 1977, para o São Paulo, e na edição 1980, diante do Flamengo. Com foco especial na polêmica derrota diante do Rubro-Negro pelo jogo desempate da fase de grupos da Libertadores, em 1981, no Serra Dourada, quando José Roberto Wright expulsou cinco jogadores do Galo e encerrou a partida por W. O.

"A ideia, então, foi contar a história do Atlético de um ponto de vista que eu acredito, um clube de inclusão, com história utópica de igualdade, representado simbolicamente pelo preto e branco, juntos" (Fred Melo Paiva, produtor do documentário)
1 de 2 Reinaldo, maior artilheiro do Atlético, em sua comemoração "punho cerrado" — Foto: Reprodução

Reinaldo, maior artilheiro do Atlético, em sua comemoração "punho cerrado" — Foto: Reprodução

O documentário elaborado em 2014, quando o Atlético emendou conquista da Copa Libertadores (2013) e da Copa do Brasil na final contra o Cruzeiro, será exibido de maneira presencial (no festival holandês) até domingo. A estreia da película aconteceu há poucas semanas, em outro festival, de Buenos Aires. Sua primeira exibição no evento da Holanda será às 19h15 (horário local). Ainda haverá uma segunda sessão nesta quarta-feira.

Mas é possível ter acesso completo à produção de forma online, a partir de sexta-feira (4). O preço do ingresso para a sessão presencial é de 12 euros (R$ 75). Já o preço para a sessão online ainda não está disponível no site do festival.

O ge conversou com Helvécio Marins, que divide a direção com Sérgio Borges. O cineasta, que mora em Portugal, falou sobre a relevância de se ter um filme sobre futebol e sobre o Atlético em um dos 10 mais importantes festivais internacionais de cinema.

Ele destaca os quase oito anos de confecção da obra, que, idealizada em 2013, teve filmagens entre outubro e novembro de 2014, durante a campanha da Copa do Brasil. Mais de 400 horas de materiais para a edição final. A grande expectativa, agora, é lançar o "Lutar, Lutar, Lutar" no Brasil.

- O que mais queremos é disponibilizar o filme para a Massa! já temos distribuidor garantido no Brasil e assim que a pandemia melhorar o filme será lançado prioritariamente nos cinemas - disse.

Confira o trailer do documentário:

Veja a sinopse de "Lutar, Lutar, Lutar":

Todo clube de futebol deveria ter uma dupla de torcedores fanáticos como os respeitados cineastas brasileiros Sérgio Borges e Helvécio Marins Jr., ambos com longa-metragem apresentados em Roterdã. Eles começaram a fazer este documentário candidamente apaixonado e envolvente em 2013, quando seu clube, o Clube Atlético Mineiro - mais conhecido como Galo - finalmente venceu a Copa Libertadores. Não apenas como uma homenagem a jogadores lendários e subestimados como Reinaldo - que pode ter sido um jogador ainda melhor do que Pelé. Mas também para iluminar décadas de injustiça, de perder troféus, de oposição arbitrária e racismo que permitiu aos poderes instituídos favorecer de forma consistente e injusta os grandes clubes cariocas.

A paixão dos fãs é intensificada pelo som e pelas imagens do filme, que transmitem seu amor de forma poderosa ao espectador. Por fim, e apropriadamente para esse tipo de história épica, o amor pelo clube e pelo jogo ganha o dia: neste caso, com uma ajudinha de Ronaldinho.

Entrevista com o jornalista Fred Melo Paiva, produtor do filme

ge: A história do documentário vai de 1908 até 2014, sem ordem cronológica. Como surgiu a ideia e qual a pegada do filme?

FMP: Em 2013, o Helvécio Marins Jr, e o Sergio Borges, dois diretores mineiros, que dirigem o filme, são dois cineastas premiados, de carreira internacional, de outro tipo de filme, cinema de arte. Eles tinham uma lei Rouanet aprovada para fazer um filme do Atlético. Eles estavam em vias de desistir, era um projeto que não tinha a ver com a cinebiografia deles. Mas com a conquista da Libertadores, o renascimento do Galo como clube internacional, deu ânimos novos a eles. Eles então, ambos, me procuraram com a ideia de reavivar aquele filme a partir de uma leitura que tinha a ver com as minhas colunas. Queríamos fazer algo que transcendente o futebol e se abrigasse naquele sentido do torcedor do Atlético, que a gente chama de "atleticanidade". Queriam trazer algo além do esporte. Sem saber, naquela altura, o que poderia ser esse filme. Foi assim que a ideia renasceu a seis mãos: eu, o Serginho e o Helvécio. Fomos conceber o filme assim. A ideia, então, foi contar a história do Atlético de um ponto de vista que eu acredito, um clube de inclusão, com história utópica de igualdade, representado simbolicamente pelo preto e branco juntos. Enfim. A história é contada de um certo ponto de vista, de uma crença, do que foi essa história,d o que representa. E, enfim, a união de nossos 3 é que desencadeia o filme que vai dar no "Lutar, Lutar, Lutar".

No trailer você diz algo como "o Atlético foi forjado na injustiça". Quem ver o documentário terá essa noção? De que glórias dos injustos são mais saborosas?

- O normal é que você tenha filmes sobre história de times de futebol, em geral de glórias ininterruptas. A história do Atlético poderia contar assim também. É história centenária, longa, e você pode cortar só a parte das coisas incríveis. Mas não é esse o partido do nosso filme, Temos uma noção e vem esse ponto de vista, sabemos a força do Atlético, da sua torcida, sua beleza, resiliência. O épico que é ganhar, isso claramente tem a ver com o tanto que a gente sofreu ao longo da nossa vida, em momentos diversos, derrotas injustas, roubos descarados, azares monumentais. As coisas são difíceis para a gente e dão errado várias vezes. E a história, sim, é contada a partir dessas injustiças, desses azares.

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