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Arcabuz

Arcabuzeiro dos anos 1600.

Tipo
Arma longa
tiro único
classe funcional de armas(d)
Utilização
Usuário(a)
arquebusier(d)

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O arcabuz[1] (do francês arquebuse, do alemão Hakenbüchse e do neerlandês hakebus) é uma antiga arma de fogo portátil, sendo um tipo de bacamarte.[2] Era chamada vulgarmente de espingarda nas crónicas portuguesas do século XVI.[3]

Um infante armado com um arquebuz é chamado de arquebuzeiro. O termo arquebuz foi aplicado a muitas formas diferentes de armas de fogo dos séculos XV a XVII, mas referia-se originalmente a "uma arma de mão com uma projeção em forma de gancho ou dente na sua face inferior, útil para estabilizá-la contra ameias ou outros objetos ao disparar".[4] Estas "armas de gancho" eram, nas suas formas mais primitivas, armas defensivas montadas em muralhas de cidades alemãs no início do século XV.[5] A adição duma coronha, caçoleta[6] e mecanismo de fecho de mecha no final do século XV transformou o arquebuz numa arma de fogo portátil e também na primeira arma de fogo equipada com um gatilho. A datação exata do surgimento do fecho de mecha é duvidosa. Pode ter surgido no Império Otomano já em 1465 e na Europa pouco antes de 1475.[7] O arquebuz pesado, que então passou a ser chamado de mosquete, foi desenvolvido para melhor penetrar em armaduras e surgiu na Europa por volta de 1521.[8] Arquebuzes pesados montados em carros de guerra eram chamados de arquebus à croc.[9] Estes disparavam um projétil de chumbo de cerca de 100g.[10]

Um arquebuz padronizado, o caliver, foi introduzido na segunda metade do século XVI. O nome caliver é uma derivação inglesa do francês calibre – uma referência ao calibre padronizado da alma da arma.[11] O caliver permitia que as tropas carregassem as balas mais rapidamente, pois elas se ajustavam às armas com maior facilidade, enquanto anteriormente os soldados frequentemente tinham que modificar os seus projéteis para ajustes adequados, ou até fabricar os seus próprios antes da batalha.

O arquebuz de mecha é considerado o precursor do mosquete de pederneira e o sucessor do canhão de mão.

História

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Na revista Almanaque de Novembro de 1959, o arcabuz é mencionado como «o antepassado comum das armas ligeiras», explicando o seu nome como tendo origem no termo alemão Hakenbuchse que significava «arma de fogo com a faia».[12] É descrito como «uma arma muito primitiva, de difícil manejo e bastante perigosa para quem a disparava. Para fazer explodir era necessário inflamá-lo com um morrão que o atirador aproximava do ouvido da arma».[12] De acordo com a revista, «o sistema de disparo por inflamação foi-se aperfeiçoando, até que cerca de 1460 se inventou um sistema de «serpentina». Consistia na adaptação à arma de uma haste em forma de S que transportava na extremidade uma mecha que ardia sem chama e cuja outra extremidade era manobrada pelo atirador. Só mais tarde se completou este sistema por um mecanismo de molas que mantinha a mecha afastada do ouvido até se desfechar por meio de um gatilho. Mais tarde inventou-se o sistema de pederneira que se popularizou durante os princípios do século XVII».[12]

A revista Panorama descreve desta forma a história dos arcabuzes: «Descuberto [sic] o invento dos canhões, ainda que imperfeito, era natural que se procurasse fazê-los portateis. Os primeiros que appareceram constavam de um cano de ferro posto sobre um pau direito, de comprimento de vara, com um pequeno fogão no topo similhante em tudo ao canhão; ― sustinham-o no braço esquerdo, e com o direito lhe chegavam a mecha para disparar. Facil é conhecer o fraco prestimo do invento; porque se no estado de perfeição a que tem chegado o fabrico de armas, se vê que de cem ballas se emprega uma, que aconteceria com o cano posto na ponta de um páu, sustido com a mão esquerda, e occupada a direita em applicar-lhe o fogo á aproximação do inimigo? ― Pouco depois se melhorou o invento, collocando-se ao lado do cano o gatilho em contacto com a mécha; de fórma que movido aquelle tocava a ponta desta na escorva e disparava. Por este modo se fez uso do arcabuz na Italia em 1430; tendo porem o inconveniente de ser necessario accender a mécha para cada tiro. Assentou-se depois em dobrar o pau ou caixa no lado em que se encostava ao peito, a fim de poder fazer a pontaria, e d'aqui veio o nome de arcabuz á sobredita arma.»[13]

Ver também

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Referências

  1. S.A, Priberam Informática. «arcabuz». Dicionário Priberam. Consultado em 22 de março de 2023
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 157.
  3. Crónica de Santa Cruz do Cabo de Gué. Chronique de Santa-Cruz du Cap de Gué (Agadir). Texte portugais du XVIeme siècle, traduit et annoté par Pierre de Cenival. Paris, Paul Geuthner. 13, rue Jacob, 13. 1934.
  4. Needham (1986), p. 426
  5. Chase (2003), p. 61
  6. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas :03
  7. Needham (1986), p. 443
  8. Smoothbore Musketry - ScotWars (2013)
  9. Encyclopædia Britannica (1911)
  10. Cyclopaedia (1728), p. 342
  11. Encyclopædia Britannica (1911), Vol. 5
  12. 1 2 3 «Considerações sobre algumas armas de fogo» (PDF). Almanaque. Novembro de 1959. p.47. Consultado em 18 de Dezembro de 2025 via Hemeroteca Municipal de Lisboa
  13. «Origem das armas de fogo» (PDF). O Panorama. Tomo IV (181). 17 de Outubro de 1840. p.335. Consultado em 18 de Dezembro de 2025 via Hemeroteca Municipal de Lisboa
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