VOOZH about

URL: https://pt.wikipedia.org/wiki/Baburnama

⇱ Baburnama – Wikipédia, a enciclopédia livre


Ir para o conteúdo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
👁 Image
Uma cerimônia de premiação na corte do Sultão Ibraim antes de ser enviado a uma expedição em Sambhal

O Bāburnāma (em chagatai: وقایع; romaniz.: Vaqayiʿ, lit. "Os Eventos";[1] em persa: بابر‌نامه;romaniz.: Bāburnāma, lit. "História de Babur") são as memórias de Zahirudin Muhammad Babur (1483–1530), padixá e gazi, fundador do Império Mogol, descendente de Tamerlão e de Gêngis Cã. Babur escreveu suas memórias no idioma chagatai, que para ele era conhecido como Türki "túrquico", a língua falada dos timúridas.

Durante o reinado de seu neto, o imperador Aquebar, a obra foi traduzida em persa clássico, que era o idioma literário da corte mogol. A tradução foi feita por Abdul Rahim Khan-i-Khanan, em 1589-90 (AH 998).[2] No Ocidente, traduções profissionais em inglês têm sido publicadas desde 1921, e dentre as línguas romanas, o Baburnama conta com uma tradução em italiano desde 2024. Em português, no entanto, não existem traduções publicadas.

Babur era um educado príncipe timúrida, e suas observações e comentários em suas memórias refletem seu interesse na natureza, na sociedade, na política e na economia. Seu relato vívido dos eventos envolvem não apenas sua própria vida, mas a história e a geografia das áreas em que ele viveu, bem como as pessoas com quem ele veio a entrar em contato. O livro envolve tópicos diversos, como astronomia, geografia, estadismo, assuntos militares, armas e batalhas, plantas e animais, biografias e crônicas de família, cortesãos e artistas, poesia, música e pintura, festas de vinho, turnês a monumentos históricos, e contemplações em relação a natureza humana.[3]

Apesar de Babur não ter ordenado a comissão de nenhuma versão ilustrada, seu neto ordenou as primeiras ilustrações assim que lhe foi apresentada a tradução persa em novembro de 1589. A primeira das quatro cópias ilustradas produzidas sob o reinado de Aquebar pelas décadas seguintes foram colocadas à venda em 1913. Aproximadamente 70 miniaturas estão dispersas ao longo de várias coleções, com 20 no Museu Vitória e Alberto em Londres. As outras três versões, parcialmente copiadas da primeira, estão no Museu Nacional de Nova Deli (quase completas e datadas de 1597–98), na Biblioteca Britânica (143 de um total de 183 miniaturas originais, provavelmente do início da década de 1590) com uma miniatura de duas páginas no Museu Britânico, e uma cópia, em sua maioria com falta de texto, com as maiores porções no Museu Estadual de Arte Oriental em Moscou (57 fólios) e no Museu de Arte Walters em Baltimore (30 miniaturas). Várias outras coleções tem miniaturas isoladas destas versões. Manuscritos ilustrados também foram produzidos mais tarde, mas não em uma escala tão grande.

Babur está no centro da maioria das cenas apresentadas. Pelo o que se sabe, nenhuma imagem contemporânea dele sobreviveu, mas seja de onde tiraram suas fontes, os artistas de Aquebar foram consistentes na representação dele, "com um rosto arredondado e um bigode caído", usando um turbante em estilo centro-asiático e um casaco de mangas curtas em cima de um robe com mangas longas. Emergindo de um período em que a oficina de Aquebar desenvolveu seu novo estilo de pintura mogol, os Baburnamas ilustrados mostram desenvolvimentos como vistas panorâmicas com uma recessão, influenciadas pela arte ocidental vista nas cortes. Geralmente as cenas são menos povoadas do que miniaturas mais antigas de cenas "históricas".

A maioria das imagens tiveram as bordas removidas

Conteúdo

[editar | editar código]
👁 Image
Ilustrações do Baburnama a cerca da fauna da Índia.

De acordo com o historiador Stephen Frederic Dale, a prosa de Babur em chagatai é altamente influenciada pelo persa na estruturação de frases, morfologia, e no vocabulário,[4] e também possui várias frases e poemas menores em persa.

O Bāburnāma começa abruptamente com estas singelas palavras:

No mês de Ramadã do ano 899 [1494] e em décima segunda idade, eu me tornei governante na região de Fergana.

Babur descreve sua sorte oscilante como um governante de menor escala da Ásia Central—ele tomou e perdeu a cidade de Samarcanda duas vezes—e partiu para Cabul em 1504. Há uma lacuna entre 1508 e 1519 em todos os manuscritos conhecidos. Annette Beveridge e outros acadêmicos acreditam que a parte ausente no meio, e talvez um relato da infância de Babur, um prefácio e provavelmente um epílogo, foram escritos, mas o manuscrito destas partes foram perdidos na época de Aquebar. Existem vários pontos na carreira ativa de Babur e de seu filho Humaium, onde partes do manuscrito original plausivelmente devem ter sido perdidos.

👁 Image
Sultão Hâmeza, Sultão Mádi e Sultão Mamaque prestam homenagem a Babur

Em 1519 Babur tomou controle de Cabul, e de lá começou uma invasão ao nordeste da Índia. A seção final do Bāburnāma envolvem os anos de 1525 a 1529 e a fundação do Império Mogol, que no momento de sua morte era ainda uma parte relativamente pequena do nordeste da Índia, cujo os descendentes de Babur então expandiram e continuaram a reinar por três séculos.

O relato da decisiva Primeira batalha de Panipate em 1526 foi seguida por longas descrições da Índia, seu povo, sua fauna e flora. Vários incidentes empolgantes são recontados e ilustrados. Por exemplo, Babur pula para fora de seu cavalo a tempo de evitar cair com ele em um rio, ou quando seu exército formou seus barcos no formato de um círculo e um peixe pula no barco para escapar de um crocodilo.

O texto em chagatai original não parece ter sido transcrito em muitas cópias, e todos que sobreviveram estão em formas parciais em sua maioria. A cópia avistada na biblioteca mogol na década de 1620, da qual a tradução em persa foi feita presumidamente, parece ter sido perdida.

Em sua autobiografia, Babur menciona um menino da época de sua adolescência chamado 'Baburi', com o qual ele era apaixonado e fascinado. Este sentimento repentino é expressado nas páginas 120 e 121 do "Baburnama", onde ele escreve:

'Aixa Sultana Begum, a quem meu pai e o dela, sendo este meu tio, Sultão Amade Mirza, me prometeram em casamento, veio (este ano) a Cujanda¹ e eu a desposei no mês de Xabã. Apesar de não ter más intenções em relação a ela, por este ter sido meu primeiro casamento, por modéstia e timidez eu costumava vê-la uma vez a cada 10, 15, ou 20 dias. Depois, quando até mesmo minha disposição não durou, minha vergonha aumentou. Na época, minha mãe Canum costumava me levar uma vez por mês ou a cada 40 dias com convicção, cobranças e inquietações.

Naqueles dias de lazer, eu descobri em mim mesmo uma estranha empolgação, ou até mais, como diz o verso, 'eu afligi-me e enlouqueci-me' por um menino no bazar, seu próprio nome, Bāburī, bem apropriado. Até aquele momento, eu não havia tido disposição para ninguém, no caso de amor e de desejo, seja por experiência ou por contos de terceiros, eu não tinha escutado, eu não tinha conversado sobre. Naquela época, eu costumava compor pares de versos em persa, um ou dois de uma vez só; este é um deles:

Que ninguém seja como a mim, humilhado e desventurado e apaixonado: Que nenhum amado seja como tu és a mim, cruel e descuidado.

De tempos em tempos Bāburi costumava vir à minha presença, mas por modéstia e vergonha, eu nunca conseguia olhar diretamente para ele; como então poderia eu fazer uma conversa (ikhtilät) e um recital (hikayat)? Em toda a minha empolgação e em minha agitação, eu não conseguia expressar minha gratidão a ele (por sua vinda); como então poderia eu manifestar meu desprazer quanto a sua partida? Que poder tinha eu de atribuir a mim mesmo o dever da servidão? Um dia, durante esta época de desejo e de paixão quando eu estava andando com companhias por uma travessia, eu repentinamente encontrei-o rosto a rosto, eu entrei em tamanho estado de confusão que eu quase me disparei para longe. Olhá-lo diretamente me atormenta e me embaraça.'

— Tradução livre de Baburi Andijani, em Jahiruddin Muhammad Babur, Baburnama, página 120 FARGHANA (q. Babur's first marriage.)

[5][6][7]

Traduções

[editar | editar código]

O Baburnama foi traduzido do persa para o inglês[8] pela primeira vez por John Leyden e William Erskine com o título de Memoirs of Zehir-Ed-Din Muhammed Baber: Emperor of Hindustan,[9] e mais tarde foi novamente traduzido pela orientalista britânica e acadêmica Annette Beveridge,[10][11] e mais recentemente por Wheeler Thackston, que foi um professor da Universidade Harvard.[12] Traduções em português oficiais até o momento não foram publicadas.

Referências

[editar | editar código]
  1. Dale, Stephen F. (2018). Babur: Timurid Prince and Mughal Emperor, 1483–1530 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN978-1-316-99637-9
  2. «Biography of Abdur Rahim Khankhana». Consultado em 28 de outubro de 2006. Arquivado do original em 17 de janeiro de 2006
  3. Dale, Stephen F. (2018). Babur: Timurid Prince and Mughal Emperor, 1483–1530 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN978-1-316-99637-9
  4. Dale, Stephen Frederic (2004). The garden of the eight paradises: Bābur and the culture of Empire in Central Asia, Afghanistan and India (1483–1530). [S.l.]: Brill. pp.15,150. ISBN90-04-13707-6
  5. Dale, Stephen F. (2018). Babur: Timurid Prince and Mughal Emperor, 1483–1530 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN978-1-316-99637-9
  6. Dale, Stephen F. (2018). Babur: Timurid Prince and Mughal Emperor, 1483–1530 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN978-1-316-99637-9
  7. Dale, Stephen F. (2018). Babur: Timurid Prince and Mughal Emperor, 1483–1530 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN978-1-316-99637-9
  8. Noorani (ed.). The Babri Masjid Question, 1528-2003: 'A Matter of National Honour'. 1. [S.l.]: Tulika Books. pp.53–54. ISBN9789382381457
  9. Bābur (Emperor of Hindustān) (1826). Memoirs of Zehir-Ed-Din Muhammed Baber: emperor of Hindustan. [S.l.]: Longman, Rees, Orme, Brown, and Green. Consultado em 5 outubro 2011
  10. Babur (1922). Annette Beveridge, Beveridge, ed. The Babur-nama in English (Memoirs of Babur) - Volume I. London: Luzac and Co. Consultado em 14 dezembro 2017A referência emprega parâmetros obsoletos |localização= (ajuda)
  11. Babur (1922). Annette Beveridge, Beveridge, ed. The Babur-nama in English (Memoirs of Babur) - Volume II. London: Luzac and Co. Consultado em 14 dezembro 2017A referência emprega parâmetros obsoletos |localização= (ajuda)
  12. Babur (2002). The Baburnama: memoirs of Babur, prince and emperor. New York: Modern Library. ISBN0375761373A referência emprega parâmetros obsoletos |localização= (ajuda)
Este artigo não está em nenhuma categoria. Por favor, categorize-o para que seja listado com suas páginas similares. (fevereiro de 2026)