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O capítulo do girassol, mostrando o dimorfismo entre a periferia e o centro da inflorescência.
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O que parecem ser pétalas de uma flor individual são, na verdade, flores liguladas completas individuais, e no centro há um conjunto denso de pequenas flores discoides individuais. Como o conjunto tem a aparência geral de uma única flor, o conjunto de flores na cabeça deste girassol é designado por pseudântio ou capítulo.
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Pseudanto de um lírio-da-paz (Spathiphyllum cochlearispathum).
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Pseudanto comprimido de Lepironia articulata.
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Euphorbia caput-medusae.
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Pseudanto de Actinodium cunninghamii.
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Pseudanto (do neolatim: pseudanthium, derivado do grego clássico: pseudo + anthos; falsa flor), também pseudântio, capítulo ou calátide, é a designação dada em morfologia vegetal a uma inflorescência caracterizada por apresentar flores sésseis inseridas num receptáculo discoide ou arredondado protegido por brácteas. Nestas inflorescências é comum existirem tipos de flores diferentes em função da sua posição na estrutura, como acontece no girassol, em que as flores situadas na periferia são muito diferentes das situadas no interior do disco.[1] O pseudanto pode assumir diversas formas, mas a mais comum é o capítulo, a inflorescência típica das Asteraceae (compostas).

Descrição

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Um pseudanto (ou pseudanthium) é uma inflorescência que pela sua estrutura e morfologia se assemelha a uma flor, sendo assim uma pseudo-flor. Embora o termo seja por vezes utilizada para outras estruturas que não são nem uma flor nem uma inflorescência verdadeira,[1] a sua principal utilização é para descrever as inflorescências das Asteraceae (as compostas), que geralmente são flores compostas designadas por capítulo ou cabeça floral.[2]:514

O termo pseudanto foi originalmente aplicado a flores com estames em dois verticilos, com o verticilo externo oposto às pétalas (obdiplostemonato) ou flores poliândricas. No início do século XX, o termo foi reaproveitado pelos defensores da «teoria do pseudanto», que assumia que a evolução das flores teria tido origem numa configuração poliaxial, em vez de monoaxial.[3]

Na atualidade o termo é frequentemente considerado um sinónimo de capítulo, o que se revela inadequado pois existem falsas flores, na realidade pseudantos, que pela sua morfologia e génese não podem ser subsumidas no conceito de capítulo. Por outro lado, para além das inflorecências em capítulo existem inflorescências capituliformes formadas por pseudantos com aspecto semelhante às inflorescências tipo capítulo.

Em todos os casos, um pseudanto, particularmente qunado do tipo capítulo, é superficialmente indistinguível de uma flor, mas uma inspeção mais detalhada da sua anatomia revela que é composto por várias flores. Assim, o pseudanto representa uma convergência evolutiva da inflorescência para uma unidade reprodutiva reduzida que pode funcionar na polinização como uma única flor, pelo menos em plantas que são polinizadas por animais. Assi, o capítulo parece uma única flor no seu conjunto e é por isso considerado um pseudanthium (do grego: falsa flor).

Capítulo

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O termo capítulo (também lat. calathidium ou anthodium) é também utilizado para designar estruturas florais capituliformes,[4] nas quais todas as flores assentam diretamente sobre o eixo do caule, que é comprimido e alargado como um prato, por vezes também aprofundado no centro. Na base existe sempre um invólucro. Em termos de estrutura, o capítulo é muito semelhante à cabeça floral. No entanto, é praticamente apenas na família das compostas que se fala de cabeça floral, caso contrário, fala-se sempre de capítulo. Esta distinção deve-se principalmente à estrutura das flores individuais: Estas são formadas por flores tubularess ou floretes de raios e, por conseguinte, só se encontram nas plantas compostas. Em algumas espécies, as flores tubulares do cesto estão dispostas em forma de círculo hexagonal.[5]

Morfologia

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Recebem a designação de capítulo as inflorescências com flores sésseis densamente dispostas, podendo apresentar dois tipos de flores, do disco, no centro do capítulo, e do raio, no bordo, sendo estas últimas ornadas com corola expandida. Um exemplo de capítulo é a inflorescência do girassol.

Os capítulos são tipos especiais de inflorescência[6] que agrupam desde um pequeno aglomerado até centenas ou, por vezes, milhares de flores (no caso, flósculos), para formar uma única estrutura semelhante a uma única flor. Os capítulos assumem várias formas nas quais as flores reais (os flósculos ou floretes) são geralmente pequenas e muitas vezes bastante reduzidas, mas o capítulo em si pode, por vezes, ser bastante grande (como nas cabeças de algumas variedades de girassol).

Os pseudantos em capítulo são característicos da família das margaridas e girassóis (Asteraceae), cujas flores se diferenciam em flores liguladas e flores discoides, exclusivas desta família. As flores discoides no centro do capítulo são actinomórficas e a corola está fundida num tubo. As flores na periferia são zigomórficas e a corola tem um lóbulo grande (as chamadas «pétalas» de uma margarida são flores liguladas individuais, por exemplo). Tanto as flores liguladas como as flores do disco podem estar ausentes em algumas plantas. POr exemplo, a espécie Senecio vulgaris não tem flores liguladas[7] e Taraxacum officinale não tem flores discoides.[7][8]

As flores individuais de uma inflorescência da família Asteraceae (ou Compositae) são comumente designadas por «floretes» ou «flósculos».[9] O capítulo tem um verticilo de brácteas abaixo das flores, formando um invólucro.

Capitulescência

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Capitulescência é uma forma específica de pseudanto que consiste numa inflorescência formada por dois ou mais capítulos, podendo estar dispostos em arranjos variados (cimoso, racemoso, paniculado, ou outro).

Se as flores de um capítulo forem substituídas por outros capítulos mais pequenos como inflorescências parciais, o resultado é uma inflorescência especial, o capítulo duplo. O melhor exemplo disto são os cardos do género Echinops. Os capítulos estão dispostos numa forma esférica, o número de flores é reduzido a uma cada e têm um involucro de brácteas.

Tipos de pseudantos

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Os pseudantos pode ser agrupada em tipos. O primeiro tipo tem unidades de flores individuais que são reconhecíveis como flores únicas, mesmo que estejam fundidas. No segundo tipo, as flores não aparecem como unidades individuais e certos órgãos, como estames e carpelos, não podem ser associados a nenhuma flor individual.[10]

Termos relacionados

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A descrição das flores compostas e das suas carcterísticas originou uma terminologia específica:

  • Sinorganização O conjunto de órgãos independentes numa estrutura complexa é chamado sinorganização.[11]
  • Cabeça é um termo equivalente para capítulo e pseudântio quando usado no sentido botânico.
  • Capítulo (ou capitulum (plural capitula) pode ser usado como sinónimo exato de pseudanthium e de cabeça de flor; no entanto, este uso é geralmente, mas nem sempre, restrito à família Asteraceae. Pelo menos uma fonte define-o como uma pequena cabeça de flor.[12] Além do seu uso botânico como termo que significa cabeça de flor, também é usado para designar a parte superior da planta dos esfagnos.[13]
  • Calátide é um termo muito raramente utilizado. Foi definido no livro de 1966, The genera of flowering plants (Angiospermae), como um termo específico para designar uma cabeça de flor de uma planta da família Asteraceae.[6] No entanto, os glossários botânicos em linha não o definem, e o Google Scholar não contém qualquer ligação a uma utilização significativa do termo num sentido botânico.

Famílias em que ocorrem pseudantos

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Pseudantos ocorrem em 40 famílias de plantas, incluindo:[14]

Em algumas famílias, ainda não é claro se a flor representa um pseudanto porque o trabalho anatómico não foi feito (ou é ainda ambíguo devido a uma considerável redução evolutiva). Possíveis pseudantos deste tipo podem ocorrer nas seguintes famílias:

Referências

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  1. 1 2 3 Louis P. Ronse De Craene (4 fevereiro 2010). Floral Diagrams: An Aid to Understanding Flower Morphology and Evolution. [S.l.]: Cambridge University Press. p.23. ISBN978-1-139-48455-8
  2. Chester, Sharon (2016), The Arctic Guide: Wildlife of the Far North, ISBN9781400865963, Princeton University Press.
  3. Elmar Robbrecht (1996). Second International Rubiaceae Conference Proceedings. [S.l.]: National Botanic Garden of Belgium. p.330. ISBN978-90-72619-29-7
  4. Manfred A. Fischer & Wolfgang Willner (2009): Aktuelles über das Projekt „Flora von Österreich“: Prinzipien, Methodologie und Wiki-Internet-Flora. Ansprüche wissenschaftlichen Florenschreibens. Sauteria 18: 101–186.
  5. Arnold Emch (1910). Sur quelques exemples mathématiques dans les sciences naturelles. L’Enseignement mathématique (em francês). 7. [S.l.: s.n.] p.122. Consultado em 26 de dezembro de 2024
  6. 1 2 Hutchinson, John (1964). The genera of flowering plants (Angiospermae). Oxford: Clarendon Press. LCCN65000676
  7. 1 2 «Senecio vulgaris L.». Missouri Plants. Consultado em 2 dezembro 2012. Arquivado do original em 27 junho 2012
  8. «Taraxacum Officinale». Florida Data. Consultado em 2 dezembro 2012
  9. 1 2 «calflora Botanical Terms». Consultado em 26 de fevereiro de 2012
  10. Sokoloff, Dmitry; Rudall, Paula J.; Remizowa, Margarita (1 de outubro de 2006). «Flower-like terminal structures in racemose inflorescences: a tool in morphogenetic and evolutionary research». Journal of Experimental Botany (em inglês). 57 (13): 3517–3530. ISSN0022-0957. PMID17005921. doi:10.1093/jxb/erl126👁 Acessível livremente
  11. Developmental Genetics of the Flower: Advances in Botanical Research. [S.l.]: Elsevier. 29 setembro 2006. pp.35–. ISBN978-0-08-046463-3
  12. Harris, James (2001). Plant Identification Terminology An illustrated Glossary. [S.l.]: Spring Lake. ISBN978-0-9640221-6-4
  13. «Australian bryophytes». Consultado em 26 de fevereiro de 2012
  14. Karl Esser (6 dezembro 2012). Progress in Botany: Structural Botany Physiology Genetics Taxonomy Geobotany. [S.l.]: Springer Science & Business Media. p.83. ISBN978-3-642-78020-2
  15. The Molecular Genetics of Floral Transition and Flower Development. [S.l.]: Elsevier Science. 16 junho 2014. p.299. ISBN978-0-12-417181-7
  16. Bello, M. Angélica; Álvarez, Ines; Torices, Rubén; Fuertes-Aguilar, Javier (2013). «Floral development and evolution of capitulum structure in Anacyclus (Anthemideae, Asteraceae)». Annals of Botany. 112 (8): 1597–1612. ISSN0305-7364. JSTOR42801622. PMC3828941👁 Acessível livremente
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  17. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Rolf H. J. Schlegel (22 julho 2020). Dictionary of Plant Breeding. [S.l.]: CRC Press. p.459. ISBN978-1-00-006698-2
  18. Gwen Jean Harden (1990). Flora of New South Wales. [S.l.]: UNSW Press. p.407. ISBN978-0-86840-188-1
  19. «Cyperaceae - Evolution and classification». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 14 de fevereiro de 2021
  20. Simpson, David A.; Furness, Carol A.; Hodkinson, Trevor R.; Muasya, A. Muthama; Chase, Mark W. (julho 2003). «Phylogenetic relationships in Cyperaceae subfamily Mapanioideae inferred from pollen and plastid DNA sequence data». American Journal of Botany. 90 (7): 1071–1086. Bibcode:2003AmJB...90.1071S. ISSN0002-9122. PMID21659207. doi:10.3732/ajb.90.7.1071
  21. Prychid, C. J.; Bruhl, J. J. (2013). «Floral ontogeny and gene protein localization rules out euanthial interpretation of reproductive units in Lepironia (Cyperaceae, Mapanioideae, Chrysitricheae)». Annals of Botany. 112 (1): 161–177. ISSN0305-7364. JSTOR42801396. PMC3690996👁 Acessível livremente
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  23. James L. Castner (2004). Photographic Atlas of Botany and Guide to Plant Identification. [S.l.]: Feline Press. p.145. ISBN978-0-9625150-0-2
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  27. Claßen-Bockhoff, R.; Arndt, M. (2018). «Flower-like heads from flower-like meristems: pseudanthium development in Davidia involucrata (Nyssaceae)». J Plant Res. 131 (3): 443–458. Bibcode:2018JPlR..131..443C. PMID29569169. doi:10.1007/s10265-018-1029-6
  28. Petra Hoffmann, Hashendra S. Kathriarachchi, and Kenneth J. Wurdack. 2006. "A Phylogenetic Classification of Phyllanthaceae (Malpighiales)." Kew Bulletin. 61(1):40.
  29. Rudall, Paula J. (2003). «Monocot Pseudanthia Revisited: Floral Structure of the Mycoheterotrophic Family Triuridaceae». International Journal of Plant Sciences. 164 (S5): S307–S320. Bibcode:2003IJPlS.164S.307R. ISSN1058-5893. JSTOR10.1086/376879. doi:10.1086/376879

Ligações externas

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