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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Facts and Arguments for Darwin
Para Darwin
Für Darwin
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Capa original em alemão de Para Darwin
Autor(es)Fritz Müller
IdiomaAlemão
PaísAlemanha[N 1]
AssuntoSeleção natural
Biologia evolutiva
Gênerociência, biologia
Lançamento1864
Páginas144[N 2]
ISBN9781139941358

Für Darwin (em português: Para Darwin; em inglês: Facts and Arguments for Darwin)[1] é uma obra literária sobre biologia evolutiva escrita em 1864 pelo botânico e biólogo teuto-brasileiro Fritz Müller (1822–1897). No livro, Müller argumenta que a teoria da evolução por seleção natural de Charles Darwin (1809–1882), que ele havia apresentado em seu livro A Origem das Espécies, publicado cinco anos antes, estava correta, citando evidências que havia encontrado no Brasil.

Darwin e Müller imigraram ao Brasil entre as décadas de 1830 e 1850, na época, Müller apresentava uma formação em filosofia na Universidade de Berlim, se estabelecendo na então Colônia São Paulo de Blumenau, Santa Catarina.[N 3][2] Darwin apresentava um livro, A Viagem do Beagle (1839),[3] um casamento com sua prima Emma Darwin[N 4][4] e um intenso estudo sobre cracas (cirrípedes). Seu livro mais famoso, A Origem das Espécies, viria a ser publicado somente no final da década de 1850, em 1859.[5] Após ler o livro de Müller, Darwin começou a trocar cartas por quase vinte anos sobre biologia evolutiva com Fritz.[6][7]

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Müller em 1892, retrato oficial como 3.º prefeito de Blumenau.[8]

Muller começou a produção de seu livro em 1861, quando em 1855, Hermann Blumenau entrou em contato com o então presidente da província João José Coutinho, para recomendar Fritz Müller e o seu irmão Herman Müller para assumirem como professores do novo colégio que o Presidente de Província desejava fundar em Desterro.[N 5][9] Em 1861, dois anos após a publicação de A Origem das Espécies, Müller recebia o livro vindo de uma correspondência de seu amigo Max Schultze, ao terminar de ler, impressionado, Fritz decidiu contribuir com os estudos de Darwin para provar a Teoria da Evolução, que era pouco aceita na comunidade científica da época.[10] O livro foi publicado em 1864, após três anos de estudos, detalhou como as características comuns a exemplares de diferentes espécies poderiam ser explicadas pela existência de antepassados comuns, reforçando as ideias de Charles Darwin.[10][11] Darwin e Müller começaram a trocar correspondências em 1865.[11] Com Darwin lhe enviando aproximadamente trinta e nove cartas a Fritz, Müller enviando trinta e quatro cartas a Charles, os dois cientistas firmaram uma amizade que durou 17 anos e levou Darwin a apelidar Fritz de “o príncipe dos observadores” e a mencioná-lo 17 vezes na reedição da obra do naturalista britânico.[10]

Antecedentes e desenvolvimento do livro

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Praia de Fora em 1857, atual Avenida Beira-Mar Norte, local onde Müller fez seus estudos sobre crustáceos marinhos.

Müller apresentou uma formação em filosofia na Universidade de Berlim em dezembro de 1844, em 1841, havia iniciado uma faculdade em matemática e história natural na mesma universidade.[12] Provavelmente para fugir das perseguições governamentais, Fritz Müller migrou-se para Pomerânia Ocidental, para trabalhar de 1849 a 1852 como professor particular.[13]

Em 1852, Theodor Müller junto com sua família e entre outros alemães e europeus como Ottokar Dörffel, Ludwig von Lasperg e Wilhelm Schiefler, se abrigaram na recém fundada Colônia São Paulo de Blumenau, Império do Brasil, possivelmente também descontentes com às frustradas Revoluções de 1848.[10][13]

Fritz Müller na esquerda, Hermann Müller na direita.
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Página 54, traduzido para o inglês por William Dallas em 1869, sobre a história dos crustáceos.

Dr. Hermann Blumenau, então administrador da colônia, entrou em contato com o presidente de Santa Catarina João José Coutinho em 1855, recomendando mover Fritz e seu irmão Herman para assumirem como professores de matemática do Colégio Liceo, um novo centro de ensino que Coutinho desejava fundar em Desterro, Fritz e seu irmão foram movidos para Desterro em 1856, Müller assumiu como professor de matemática no Colégio Liceo em 1857, saindo em 1864 após a escola ser fechada. O motivo da recomendação de Blumenau era o seu temor de uma possível influência da irreligiosidade dos irmãos sobre os outros colonos, de maioria protestante.[14][15] Em 1861, dois anos após a publicação de A Origem das Espécies, Müller recebia o livro vindo de uma correspondência do seu amigo e anatomista alemão Max Schultze.[16]

Após ler o livro, maravilhado, Fritz decidiu testar em campo as ideias do Darwinismo, sendo o primeiro a fazer isso, se utilizando de crustáceos marinhos como objetos de estudo, o que resultou em estudos comparativos de embriologia, ontogenia, ecologia, fisiologia e morfologia.[1] Estes estudos foram realizados entre 1861 a 1864, na Praia de Fora,[N 6] em seu estudo pioneiro com crustáceos, Fritz Müller realizou uma série de observações extraordinárias, que culminaram com o descobrimento de muitos fatos novos, principalmente no que se refere ao seu desenvolvimento.[17]

Após a publicação

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Müller em 1891.

Após a publicação de Für Darwin em 1864, na cidade de Leipzig, Alemanha, pelo zoologista britânico William Sweetland Dallas (1824–1890), Fritz ficou reconhecido mundialmente pela publicação de seu livro, trocando cartas com cientistas e biólogos de todo o mundo, principalmente Charles Darwin, que admirou o livro, trocando cerca de cem cartas por quase dezessete anos com Müller.[18] As evidências apresentadas por Fritz ajudaram a divulgar a Teoria da Evolução e o trabalho de Darwin, que o mesmo, posteriormente ganharia diversos prêmios e elogios por sua obra A Origem das Espécies.

Müller continuaria dando aulas até 1867, quando começou a trabalhar no recém construído Colégio Santíssimo Salvador ao lado de seu irmão. Eles viriam a sair do colégio em 1867, quando retornou a Alemanha por um breve período, retornou ao agora município de Blumenau em 1876, após um período trabalhando como naturalista viajante no Museu Nacional do Rio de Janeiro.[19] Se utilizando da fama, conseguiu se tornar o 3.º prefeito de Blumenau em 1892, renunciando após 27 dias de mandato, sendo sucedido por Wilhelm Engelke.[8]

A pedido de Charles Darwin, o livro foi traduzido para o inglês no ano de 1869 por William Dallas, o livro então ficaria conhecido nos Estados Unidos e no Reino Unido.[20][21]

Um registro feito por Gustav Stutzer, em 1885, mostra como Müller era respeitado e adorado em Santa Catarina após a publicação de seu livro:

"Descalço, sem sandálias. Seu corpo magro e alto, vestido com calça branca de sarja, amarrada na cintura com um cinto preto, ali pendurado um facão. O peito semicoberto com uma larga camisa branca e a cabeça coberta por um chapéu de palha. Uma comprida bengala acompanhava seus passos vagarosos. Toda a figura dava a impressão de um autônomo, no entanto a mala verde, coletora, que levava nas costas fazia saber que tratava-se de um colecionador. Tratava-se de Fritz Müller, valioso colaborador de Darwin e toda a Ciência Natural lhe deve ser grata."

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Sepultura de Fritz Müller no Cemitério da Comunidade Evangélica de Blumenau.

A obra ganhou notoriedade ao ponto de ser criado o fenômeno do Mimetismo mülleriano, é como se descreve o fenômeno de seleção natural onde duas espécies venenosas distintas se beneficiam por serem semelhantes entre si, seja na aparência física ou por compartilharem do mesmo habitat.[22][23]

No ano de 1936, um museu intitulado Museu de Ecologia Fritz Müller foi criado em homenagem a Fritz Müller, foi construído no local onde era a sua antiga casa, em Vorstadt, Blumenau.[24] Após a publicação do livro, Fritz Müller se tornou parte significativa e importante da história de Blumenau e de Santa Catarina, sendo lembrado como um dos maiores gênios que já passaram pelo estado, o mesmo viria a falecer por problemas de saúde em maio de 1897, aos 76 anos.[10]

Ver também

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  1. Reino da Saxônia na época
  2. (originalmente 94)
  3. Atual município de Blumenau e estado de Santa Catarina.
  4. Anteriormente Wedgwood.
  5. Atual Florianópolis.
  6. Atual Avenida Beira-Mar Norte.

Literatura

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  • Für Darwin. Engelmann, Leipzig 1864.
  • Für Darwin. Nachdruck der Ausgabe von 1864. Hanse, Norderstedt 2016. ISBN 3-74283791-5
  • K. Schmidt-Loske, C. Westerkamp et al. [eds.]: Fritz e Hermann Müller. Pesquisa Natural para Darwin. Basilisken-Presse, Marburgo 2013. ISBN 978-3-941365-35-3

Referências

  1. 1 2 «Facts and Arguments for Darwin, by Fritz Müller». www.gutenberg.org. Consultado em 8 de janeiro de 2026
  2. Pacheco Alves de Souza, Flávia (2017). «Introdução». Notas de um naturalista do sul do Brasil: Fritz Müller: história da ciência e contribuições para a biologia (PDF). São Paulo: Editora UFABC. p.3. ISBN9788568576663
  3. Murphy, John Patrick Michael (1 de janeiro de 1999). «Charles Darwin» Internet Infidels». Internet Infidels (em inglês). Consultado em 8 de janeiro de 2026
  4. News, Na Mira, com informações da BBC (30 de junho de 2025). «Charles Darwin escreveu uma lista com prós e contras sobre se casar; confira - Imirante.com». Imirante. Consultado em 8 de janeiro de 2026
  5. «Darwin Online: On the Origin of Species». darwin-online.org.uk. Consultado em 8 de janeiro de 2026
  6. «Fritz Müller e Charles Darwin: qual a relação entre eles?». G1. 28 de março de 2022. Consultado em 8 de janeiro de 2026
  7. Papavero, Nelson (2003). Fritz Müller e a comprovação da Teoria de Darwin (PDF). São Paulo: SciELO Livros
  8. 1 2 «Galeria de Ex-Prefeitos - Prefeitura de Blumenau». www.blumenau.sc.gov.br. Consultado em 8 de janeiro de 2026
  9. Guerreiro, Victor. «Biografia de Fritz Müller traz revelações sobre Hermann Blumenau e documentos inéditos». NSC Total. Consultado em 8 de janeiro de 2026
  10. 1 2 3 4 5 «Conheça a história de Fritz Müller, o naturalista que impactou SC». G1. 25 de março de 2022. Consultado em 8 de janeiro de 2026
  11. 1 2 Pacheco Alves de Souza, Flávia (2017). «Os anos na capital da província, Nossa Senhora do Desterro». Notas de um naturalista do sul do Brasil: Fritz Müller: história da ciência e contribuições para a biologia (PDF). [S.l.]: Editora UFABC. p.28. ISBN9788568576663
  12. «The Encyclopedia Americana (1920)/Müller, Johann Friedrich Theodor - Wikisource, the free online library». en.wikisource.org (em inglês). Consultado em 9 de janeiro de 2026
  13. 1 2 «Você sabe quem foi e qual é o legado naturalista catarinense Fritz Müller?». ndmais.com.br. 22 de agosto de 2022. Consultado em 9 de janeiro de 2026
  14. Pacheco Alves de Souza, Flávia (2017). Notas de um naturalista do sul do Brasil: Fritz Müller (PDF). São Paulo: Editora UFABC. p.28. ISBN9788568576663
  15. Wittmann, Registro para a História por Angelina (16 de abril de 2025). «Conheça mais sobre Fritz Müller e seu local de trabalho, por Alfred Möller». O Município. Consultado em 9 de janeiro de 2026
  16. SeTIC-UFSC (30 de março de 2012). «Sábado marca 190 anos do nascimento de Fritz Müller». Notícias da UFSC. Consultado em 9 de janeiro de 2026
  17. «Fritz Müller 200 anos: conheça história do pesquisador que revolucionou o mundo científico». ndmais.com.br. 31 de março de 2022. Consultado em 9 de janeiro de 2026
  18. Kehl, Talita (26 de março de 2025). «Cartas de Fritz Müller do século XIX são divulgas em SC». ndmais.com.br. Consultado em 9 de janeiro de 2026
  19. «Fritz Müller: retorno à Blumenau». ndmais.com.br. 19 de março de 2024. Consultado em 9 de janeiro de 2026
  20. University Press, Cambridge (2009). Obituary—Mr. W. S. Dallas (PDF). Cambridge: [s.n.] p.4
  21. SeTIC-UFSC. «Para Darwin». Notícias da UFSC. Consultado em 15 de janeiro de 2026
  22. curiosidades. «Mimetismo Mülleriano». Consultado em 9 de janeiro de 2026
  23. admin (10 de março de 2022). «FRITZ MÜLLER E O FONÔMENO DO MIMETISMO MÜLLERIANO - Fritz Müller 200 anos». Consultado em 9 de janeiro de 2026
  24. «Museu de Ecologia Fritz Müller». Blumenau, aqui a vida acontece!. Consultado em 9 de janeiro de 2026

Bibliografia

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Ligações externas

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