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Ginetes
👁 Ginetes visto do mar
Ginetes visto do mar
Ginetes visto do mar
Gentílicoginetense
👁 Localização no município de Ponta Delgada
Localização no município de Ponta Delgada
Localização no município de Ponta DelgadaLocalização de Ginetes nos Açores
Coordenadas: 37° 51′ 03″ N, 25° 50′ 38″ O
Região👁 Image
Açores
Município👁 Image
Ponta Delgada
Código420310
Governo
•TipoJunta de freguesia
•PresidentePaulo César Araújo Pavão (2021-2025)
Área
Total12,07km²
Altitude288m
População
•Total (2021)1 184 hab.
Densidade98,1hab./km²
OragoSão Sebastião
Sítiohttps://www.freguesiaginetes.com/

Ginetes é uma freguesia portuguesa do município de Ponta Delgada, com 12,07km² de área[1] e 1184 habitantes (censo de 2021)[2]. A sua densidade populacional é 91,7hab./km².

Ginetes tem uma estrada que liga Mosteiros a Ponta Delgada.

A atividade principal é a agricultura. É banhada pelo Oceano Atlântico a sul e oeste. Tem montanhas a norte e nordeste.

Demografia

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A população registada nos censos foi:[2]

População da freguesia de Ginetes[3]
AnoPop.±%
1864 1 970
1878 2 182+10.8%
1890 2 285+4.7%
1900 2 375+3.9%
1911 2 165−8.8%
1920 2 126−1.8%
1930 2 224+4.6%
1940 2 479+11.5%
1950 2 497+0.7%
1960 2 766+10.8%
1970 2 386−13.7%
1981 1 331−44.2%
1991 1 288−3.2%
2001 1 267−1.6%
2011 1 378+8.8%
2021 1 184−14.1%
Distribuição da População por Grupos Etários[4]
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 257 221 607 182
2011 275 188 720 195
2021 150 166 656 212

É importante realçar que a freguesia de Sete Cidades foi criada pelo Decreto Lei n.º 40/71, de 18 de fevereiro[5] com lugares da freguesia de Ginetes, sendo essa a razão da diminuição drástica da população entre de 1970 e 1981.

História

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Origem do nome

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A freguesia de Ginetes é amparada dos ventos marítimos pelo Pico dos Ginetes. Gaspar Frutuoso afirma que o Pico de Ginetes, propriedade de Aires Jácome, fora assim chamado por nele se criarem ginetes (um tipo de cavalo), ou, alternantivamente, pela sua topografia lembrar uma sela[6]. O topónimo Ginetes foi atribuído, não apenas ao pico, mas também à própria povoação. Ginete poderá ser uma antiga designação de combatente (ou cavaleiro) montado em ginete[7].

Paróquia de São Sebastião

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A "nova freguesia de S. Sebastião", diz Frutuoso, tem 78 casas e 324 "almas de confissão", sendo esta uma das primeiras descrições demográficas da sua população, por volta de 1590. A principal atividade económica da freguesia nesta época era a agricultura, nomeadamente o cultivo de trigo e pastel[6].

Foi no reinado de D. João III, que foi construída a primitiva Igreja para evitar que os fiéis se deslocassem para muito longe, a fim de cumprirem o preceito Dominical. A referida construção durou cerca de 36 anos, entre 1521 e 1557. Hoje já não existe qualquer vestígio da primitiva Igreja, a não ser uma pia de batismo em pedra lavrada. Segundo a tradição, a primitiva Igreja foi edificada no lugar da Lombinha. Antes de 1557, Ginetes pertencia à paróquia de Candelária, por ser mais antiga[8].

No interregno de 1568 a 1584, foi instituída a paróquia de São Sebastião de Ginetes, sendo a Ermida da Lombinha elevada à categoria de Igreja paroquial. O seu primeiro vigário foi o Padre Gaspar de Carvalho, que faleceu em 1603, sendo substituído pelo Padre Baltazar Gonçalves Ferreira, amigo intimo do rico proprietário do Pico de Ginetes, Aires Jácome Correia[8].

Porque a primitiva igreja já não tinha capacidade suficiente para recolher todo o povo, foi concebido um plano para a construção de uma nova igreja, em lugar mais adequado e central, e que junto desta, se pudesse edificar uma residência paroquial. A pedido do vigário Padre Baltazar Gonçalves Ferreira, foi oferecido pelo seu grande amigo, Aires Jácome Correia, dois alqueires de terra, no sitio da atual Igreja e o que sobrasse do templo paroquial e do adro fosse ocupado com a construção da residência paroquial.

A edificação da atual Igreja de São Sebastião ocorreu entre 1603 e 1635, no referido terreno. Foi nesse tempo, aberta uma rua com o nome de Rua Nova, do lado nordeste do templo. Portanto a Rua Nova é tão antiga como a atual Igreja. A construção da Igreja levou 32 anos. Baltazar Gonçalves Ferreira serviu a Paróquia de Ginetes, durante 29 anos, até pelo menos 21 de setembro de 1634, data em que assinou o seu último assento, vindo a falecer pouco depois, no dia 7 de janeiro de 1635[9].

Ermida de Jesus, Maria e José

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A atual Igreja de Jesus, Maria e José, no lugar da Várzea, nasceu como "uma pequena ermida por concessão do Bispo Diocesano D. António Viera Leitão através de alvará no dia 22 de fevereiro de 1702". A sua construção começou em 1703 e terminou no ano seguinte, sendo edificada num terreno doado por Maria de Santiago, filha do Capitão Bartolomeu, morador nos Mosteiros[8].

Farol da Ponta da Ferraria

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O Farol da Ponta da Ferraria foi construído entre os finais do século XIX e ínicios do século XX em consequência de diversos nafráfios e transtornos que ocorriam em alto mar, por causa de falta de iluminção durante a noite. A sua construção teve um orçamento de 21.014 reis[8].

Catástrofes naturais

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Em 1538, houve uma erupção vulcânica submarina nas proximidades da costa da Ponta da Ferraria que durou 25 dias. Da erupção resultou o aparecimento de um efémero ilhéu, de "quase uma légua de circunferência", que logo desapareceu. Não há registo de prejuízos em terra.

Em 1682, deu-se nova erupção vulcânica submarina a 4 léguas da Ponta da Ferraria, matando quantidade de peixe, que veio dar à costa. E um caravelão vindo de Angra por esta parte, com pedra-pomes não pôde passar.

A 14 de novembro 1713 começaram novamente tremores, segundo se pode ver no livro paroquial de óbitos da paróquia de São Sebastião, onde são registadas duas mortalidades diretamente relacionadas ao evento[10]. Esta crise sísmica que antecedeu a erupção vulcânica do Pico das Camarinhas, destruiu muitas casas na freguesia.

Em 1811, uma violenta erupção vulcânica submarina, criou um ilhéu ao largo da Ponta da Ferraria - a chamada Ilha Sabrina, matando muito peixe. O ilhéu era de forma circular e foi reclamada para a coroa britânica pelo comandante de um navio de guerra inglês, a fragata HMS Sabrina, aportada em Ponta Delgada. Em terra, os sismos fizeram ruir rochedos e arruinaram muitas casas. O ilhéu desapareceu nos anos seguintes.

Filarmónica Minerva de Ginetes

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A Filarmónica Minerva de Ginetes foi fundada em 1906, por José Maria Raposo Amaral, sendo no entanto, mais provável que seja mais antiga, e que tenha sido criada por volta de 1897[11].

Património natural

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Património construído

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Freguesias próximas

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O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Ginetes

Referências

  1. «Carta Administrativa Oficial de Portugal CAOP 2013». descarrega ficheiro zip/Excel. IGP Instituto Geográfico Português. Consultado em 5 de dezembro de 2013. Arquivado do original em 9 de dezembro de 2013
  2. 1 2 Instituto Nacional de Estatística (23 de novembro de 2022). «Censos 2021 - resultados definitivos»
  3. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  4. INE. «Censos 2011». Consultado em 11 de dezembro de 2022
  5. «Decreto-Lei n.º 40/71, de 18 de fevereiro». Diário da República. Ministério do Interior - Direcção-Geral de Administração Política e Civil. 18 de fevereiro de 1971. Consultado em 28 de janeiro de 2026
  6. 1 2 FRUTUOSO, Doutor Gaspar (1998). SAUDADES DA TERRA. Livro IV. Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada. p.194
  7. MACHADO, José Pedro (1984). Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. Volume II. Lisboa: Editorial Confluência. p.716
  8. 1 2 3 4 FRIAS, José Manuel (2021). Património e tradições da freguesia de Ginetes e lugar da Várzea: Ilha de São Miguel (Mestrado). Universidade dos Açores. Consultado em 28 de janeiro de 2026
  9. «Último registo e assento de óbito do Padre Baltazar Gonçalves Ferreira». Cultura Açores. Consultado em 28 de janeiro de 2026
  10. «Registo dos tremores e das suas vítimas mortais no livro paroquial de óbitos de São Sebastião». Cultura Açores. Direção Regional da Cultura. Consultado em 28 de janeiro de 2026
  11. PONTE, Alberto (23 de novembro de 2011). «Filarmónica Minerva de Ginetes». Bandas Filármonicas. Consultado em 28 de janeiro de 2026
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