Spiro Agnew | |
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| 39º Vice-Presidente dos Estados Unidos | |
| Período | 20 de janeiro de 1969 a 10 de outubro de 1973 |
| Presidente | Richard Nixon |
| Antecessor(a) | Hubert Humphrey |
| Sucessor(a) | Gerald Ford |
| 55º Governador de Maryland | |
| Período | 26 de janeiro de 1967 a 7 de janeiro de 1969 |
| Antecessor(a) | J. Millard Tawes |
| Sucessor(a) | Marvin Mandel |
| 3º Executivo do Condado de Baltimore | |
| Período | dezembro de 1962 a dezembro de 1966 |
| Antecessor(a) | Christian Kahl |
| Sucessor(a) | Dale Anderson |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Spiro Theodore Agnew |
| Nascimento | 9 de novembro de 1918 Baltimore, Maryland, Estados Unidos |
| Morte | 17 de setembro de 1996(77anos) Berlin, Maryland, Estados Unidos |
| Progenitores | Mãe: Margaret Marian Akers Pai: Theodore Agnew |
| Alma mater | Universidade de Baltimore |
| Esposa | Judy Judefind (1942–1996) |
| Filhos(as) |
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| Partido | Republicano |
| Religião | Episcopalismo |
| Profissão | Advogado |
| Assinatura | 👁 Assinatura de Spiro Agnew |
| Serviço militar | |
| Serviço/ramo | Exército dos Estados Unidos |
| Anosdeserviço | 1941–1945 |
| Graduação | Capitão |
| Conflitos | Segunda Guerra Mundial |
| Condecorações | Estrela de Bronze |
Spiro Theodore Agnew (Baltimore, 9 de novembro de 1918 – Berlin, 17 de setembro de 1996) foi um advogado e político estadunidense que atuou como o 39º Vice-Presidente dos Estados Unidos de 1969 até sua renúncia em 1973, durante a presidência de Richard Nixon, tendo antes disso também servido como 55º Governador de Maryland de 1967 a 1969. Agnew nasceu e cresceu na cidade de Baltimore, sendo filho de um pai grego imigrante e de uma mãe estadunidense. Estudou química na Universidade Johns Hopkins, porém abandonou o curso e se formou em direito pela Universidade de Baltimore. Ele trabalhou como auxiliar do deputado federal James Devereux e foi nomeado em 1957 para o Conselho de Apelos de Zoneamento do Condado de Baltimore. Foi eleito Executivo do Condado em 1962 e quatro anos depois se elegeu governador.
Nixon pediu para que Agnew se tornasse seu companheiro de chapa durante a Convenção Nacional Republicana de 1968. Sua reputação como centrista interessava Nixon, enquanto a posição de lei e ordem que tinha assumido no início do ano diante de agitações civis chamou a atenção de vários auxiliares. Agnew cometeu diversas gafes no decorrer da campanha, porém sua retórica agradava muitos do Partido Republicano e ele pode ter feito a diferença em muitos estados importantes. Nixon e Agnew derrotaram Hubert Humphrey e Edmund Muskie do Partido Democrata na eleição presidencial de 1968. Como vice-presidente, ele frequentemente era convocado para atacar os inimigos do governo. Nesse período, Agnew foi ainda mais para a direita, apelando para os conservadores que suspeitavam das posturas moderadas de Nixon. Os dois foram reeleitos em 1972.
Agnew passou a ser investigado em 1973 pelo Procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Maryland por suspeitas de conspiração criminosa, suborno, extorsão e fraude. Ele aceitou propinas de contratantes durante sua época como executivo do condado e governador. Essas pagamentos continuaram até seu período como vice-presidente. Agnew defendeu sua inocência por meses até declarar nolo contendere para uma única acusação de evasão fiscal, renunciando da vice-presidência logo em seguida. Nixon o substituiu pelo deputado federal Gerald Ford. Agnew voltou para Maryland e depois se mudou para a Califórnia, levando o restante de sua vida de forma calma e realizando poucas aparições públicas. Ele escreveu um romance e um livro de memórias que defendiam suas ações. Agnew morreu de uma leucemia não-diagnosticada em setembro de 1996 aos 77 anos.
Primeiros anos
[editar | editar código]Família
[editar | editar código]Theophrastos Anagnostopoulos, o pai de Spiro Agnew, nasceu por volta de 1877 em Gargalianoi, na Messênia, Grécia.[1][2] A família talvez estava envolvida no plantio de olivas e se empobreceu por causa de uma crise na indústria na década de 1890.[3] Anagnostopoulos imigrou para os Estados Unidos em 1897[4] (alguns relatos dizem que foi em 1902)[3][5] e foi morar em Schenectady, em Nova Iorque, mudando seu nome para Theodore Agnew e abrindo um restaurante.[3] Agnew era um autoeducador apaixonado que manteve um interesse duradouro em filosofia, com um familiar comentando que "se ele não estivesse lendo alguma coisa para melhorar sua mente, ele não leria".[6] Se mudou para Baltimore, em Maryland, por volta de 1908 e comprou um restaurante. Foi onde conheceu William Pollard, que era o inspetor federal de carnes da cidade. Os dois se tornaram amigos, com Pollard e sua esposa Margaret sendo clientes regulares de seu restaurante. Pollard morreu em abril de 1917 e Agnew e Margaret começaram um relacionamento, casando-se em 12 de dezembro de 1917. Spiro Theodore Agnew nasceu onze meses depois em 9 de novembro de 1918.[3]
Margaret Pollard, cujo nome de solteira era Margaret Marian Akers, nasceu em 1883 em Bristol, na Virgínia, e era a mais nova em uma família de dez filhos. Mudou-se para Washington, D.C. quando adulta e conseguiu encontrar emprego em vários escritórios governamentais até conhecer e se casar com Pollard, indo então morar em Baltimore. Os Pollard tiveram um filho, chamado Roy, que tinha dez anos quando seu pai morreu.[3] A nova família Agnew se mudou para um pequeno apartamento localizado no número 226 da Rua Madison Oeste, perto do centro de Baltimore, após o casamento em 1917 e o nascimento de Spiro.[7]
Infância e início de carreira
[editar | editar código]O jovem Agnew, de acordo com os desejos de sua mãe, foi batizado na Igreja Episcopal em vez da Igreja Ortodoxa Grega. Mesmo assim, Theodore era a figura dominante dentro da família e foi uma grande influência para seu filho. A comunidade grega de Baltimore criou em 1969 uma bolsa de estudos em nome de Theodore Agnew e Spiro Agnew discursou dizendo: "Tenho orgulho de dizer que cresci sob a influência do meu pai. Minhas crenças são as dele".[8] Em 1973 continuou a se identificar como "um Episcopaliano".[9]
A família Agnew prosperou na década de 1920. Theodore comprou um restaurante maior, chamado de Piccadilly, e a família se mudou para uma casa no bairro de Forest Park, na região noroeste de Baltimore, onde Agnew estudou na Escola Secundária Garrison e depois na Escola de Forest Park. Esse período de afluência terminou com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, com o Piccadilly sendo fechado. As economias da família desapareceram em 1931 quando um banco local faliu, forçando-os a vender a casa e se mudarem para um pequeno apartamento.[10] Agnew anos depois lembrou de como seu pai reagiu a esses infortúnios: "Ele simplesmente deu de ombros e continuou trabalhando com as mãos, sem reclamar".[11] Theodore vendeu frutas e vegetais de uma barraca de beira de estrada enquanto o jovem Agnew ajudava a família com empregos de meio período entregando compras e distribuindo panfletos.[10] Agnew foi cada vez mais influenciado por seus pares enquanto crescia e começou a se distanciar de sua ascendência grega.[12] Ele recusou a oferta de seu pai para ter aulas de grego e preferia ser chamado pelo apelido de "Ted".[8]
Se formou na escola em 1937 e foi aceito na Universidade Johns Hopkins em um bacharelato em química. Agnew, apenas alguns meses depois, achou a pressão do trabalho acadêmico cada vez mais estressante e se distraia pelos contínuos problemas financeiros de sua família. Além disso, ele também estava preocupado com a situação internacional, em que uma guerra era cada vez mais provável. Ele decidiu em 1939 que seu futuro estava no direito em vez da química, deixando a Johns Hopkins e começando aulas noturnas na Escola de Direito da Universidade de Baltimore. Agnew aceitou um emprego diurno como assistente de seguros na Maryland Casualty Company no bairro de Roland Park para se sustentar.[13]
Agnew passou três anos trabalhando na empresa e subiu até a posição de subscritor assistente.[13] Ele conheceu no escritório a jovem escriturária Elinor Judefind, mais conhecida pelo apelido de "Judy". Ela tinha crescido na mesma parte da cidade que Agnew, mas os dois não tinha se conhecido até então. Eles começaram a namorar e logo ficaram noivos, casando-se em Baltimore em 27 de maio de 1942. Tiveram quatro filhos:[14] Pamela Lee, James Rand, Susan Scott e Elinor Kimberly.[15]
Guerra e pós-guerra
[editar | editar código]Segunda Guerra Mundial
[editar | editar código]Agnew foi convocado para o Exército dos Estados Unidos e começou seu treinamento básico em Camp Croft, na Carolina do Sul, pouco depois do Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941. Ele conheceu no local pessoas de diferentes origens: "Eu tinha tido uma vida muito protegida – Fiquei desprotegido muito rapidamente".[16] Foi enviado para a Escola de Candidatos a Oficiais em Forte Knox, no Kentucky, e comissionado como segundo-tenente em 24 de maio de 1942, três dias antes de seu casamento.[17]
Agnew teve uma lua de mel de dois dias e então voltou para Forte Knox. Serviu no local, ou no próximo Forte Campbell, por quase dois anos em uma variedade de funções administrativas, sendo então enviado para o Reino Unido em março de 1944 como parte do acumulo de forças pré-Desembarques da Normandia.[16] Permaneceu de prontidão em Birmingham até o final do ano, quando foi designado para o 54º Batalhão de Infantaria Blindada na França como oficial substituto. Serviu brevemente como líder de um pelotão de rifles e então assumiu o comando da companhia de serviço do batalhão. O batalhão tornou-se parte do Comando de Combate "B" da 10ª Divisão Blindada, que combateu na Batalha das Ardenas, incluindo no Cerco de Bastogne, ao todo por "trinta e nove dias no buraco da rosquinha", como um dos homens de Agnew definiu. O 54º Batalhão em seguida forçou seu caminho para dentro da Alemanha, combatendo em Mannheim, Heidelberg e Crailsheim, estando em Garmisch-Partenkirchen na Baviera quando a guerra terminou.[18] Agnew voltou para casa e foi dispensado em novembro de 1945, tendo sido condecorado com o Distintivo de Infantaria de Combate e a Estrela de Bronze.[16][18]
Pós-guerra
[editar | editar código]Agnew retomou seus estudos de direito depois de voltar para a vida civil e conseguiu um emprego como assistente de direito na firma Smith and Barrett de Baltimore. Até então ele praticamente não tinha se envolvido em política, tendo uma lealdade nominal ao Partido Democrata, seguindo as crenças do seu pai. Lester Barrett, o sócio majoritário da firma, aconselhou Agnew de que ele deveria se filiar ao Partido Republicano se quisesse levar adiante uma carreira na política. Barrett explicou que já existiam muitos jovens Democratas ambiciosos em Baltimore e nos seus subúrbios, enquanto Republicanos competentes e apresentáveis eram mais escassos. Agnew seguiu o conselho e se filiou ao Partido Republicano quando ele e sua família se mudaram para o subúrbio de Lutherville em 1947, porém ele não se envolveu em política imediatamente.[19][20]
Agnew se formou em 1947 com um Bacharelato em Direito e foi aprovado na prova da ordem dos advogados de Maryland. Ele começou a exercer a profissão no centro de Baltimore, mas não foi bem sucedido e assim aceitou um emprego como investigador de seguros.[20] Um ano depois foi trabalhar no Schreiber's, uma rede de supermercados, onde assumiu a função de detetive de loja.[21] Permaneceu nesse emprego por quatro anos, período brevemente interrompido em 1951 por uma convocação de volta ao exército depois do início da Guerra da Coreia. Agnew saiu do Schreiber's em 1952 e voltou a praticar direito, especializando-se em direito trabalhista.[22]
Barrett foi nomeado em 1955 como um juiz em Towson, a sede de condado do Condado de Baltimore. Agnew transferiu seu escritório para o local e ao mesmo tempo se mudou com a família para Loch Raven Village, uma subdivisão de Towson. Serviu como presidente da Associação de Pais e Professores da escola local do distrito e também se juntou à Kiwanis, participando de várias atividades sociais e comunitárias.[23] O historiador William Manchester resumiu Agnew nessa época: "Seu músico favorito era Lawrence Welk. Seus interesses de lazer eram todos de cunho midiático: assistir o Baltimore Colts na televisão, escutar Mantovani e ler o tipo de prosa que o Reader's Digest gostava de condensar. Era um amante da ordem e um conformista quase impulsivo".[24]
Início da vida pública
[editar | editar código]Despertar político
[editar | editar código]Agnew se voluntariou na década de 1950 para as campanhas do deputado federal James Devereux.[25] Agnew tentou em 1956 ser candidato para o Conselho do Condado de Baltimore. Foi recusado pelos líderes partidários locais, mas ele mesmo assim fez uma campanha vigorosa para a chapa do partido. A eleição resultou em uma inesperada maioria Republicana no conselho, assim Agnew, como recompensa, foi nomeado para um mandato de um ano no Conselho de Apelos de Zoneamento do condado com um salário de 3,6 mil dólares por ano.[26] Este era um cargo quase judicial e proporcionou uma fonte extra de renda em cima de sua prática normal do direito, com Agnew também gostando do prestígio relacionado com a nomeação.[27] Foi renomeado para o conselho em abril de 1958, desta vez para um mandato completo de três anos, e tornou-se seu presidente.[21]
Ele decidiu se candidatar ao tribunal de circuito nas eleições de novembro de 1960, contrariando a tradição local de juízes incumbentes se reelegerem sem oposição. Agnew fracassou, ficando em último dentre cinco candidatos.[4] Esta tentativa aumentou sua fama e ele foi considerado pelos Democratas como um Republicano em ascensão.[28] Os Democratas reconquistaram o controle do conselho do condado nas eleições de 1960 e uma de suas primeiras ações foi tirar Agnew do Conselho de Apelos de Zoneamento. Segundo Jules Witcover, o biógrafo de Agnew, "A publicidade gerada pela rude demissão de Agnew o fez parecer um servidor honesto injustiçado pela máquina".[29] Agnew tentou capitalizar esse humor e pediu para ser indicado como o candidato Republicano a deputado federal pelo 2º distrito congressional de Maryland. O partido acabou escolhendo o mais experiente J. Fife Symington Jr., mas mesmo assim queria aproveitar o apoio local a Agnew. Ele aceitou a proposta de concorrer a executivo do condado, que era o principal cargo executivo do Condado de Baltimore. Os Democratas ocupavam esse cargo e seu predecessor, o de Presidente do Conselho de Comissários do Condado, desde 1895.[4][29]
As chances de Agnew em 1962 foram melhoradas por uma briga entre os Democratas, pois Michael Birmingham, um ex-executivo do condado, se desentendeu com seu sucessor e o derrotou na primária. Agnew, diferente de seu oponente idoso, conseguiu fazer campanha como um "Cavaleiro Branco" prometendo mudanças; suas propostas incluíam uma lei antidiscriminação exigindo que comodidades públicas como parques, bares e restaurantes fossem abertos para todas as raças, uma política que Birmingham nem qualquer outro Democrata no estado poderia apresentar sem enfurecer seus apoiadores.[30][31] O vice-presidente Lyndon B. Johnson chegou a interceder por Birmingham,[32] mas na eleição Agnew venceu por 78 487 votos contra 60 993.[33] Symington perdeu para Clarence Long, deixando Agnew como o Republicano de maior cargo público em Maryland.[34]
Executivo de condado
[editar | editar código]O governo de Agnew foi moderadamente progressista, incluindo a construção de novas escolas, aumento dos salários dos professores, reorganização do departamento de polícia e melhoramentos nos sistemas de água e esgoto.[4][5][35] Seu projeto de lei antidiscriminação foi aprovado e isto lhe deu a reputação de liberal, mas o impacto foi mínimo em um condado cuja população era 97 por cento caucasiana.[36] Seu relacionamento com o cada vez mais militante movimento dos direitos civis foi complicado. Agnew, em várias disputas segregacionistas envolvendo propriedades, pareceu priorizar a lei e ordem, demonstrando aversão a protestos.[37] Sua reação a um ataque a bomba contra uma igreja negra no Alabama, em que quatro crianças morreram, foi se recusar a comparecer a um serviço memorial em Baltimore e criticar o protesto planejado em apoio às vítimas.[38]
Foi criticado algumas vezes como sendo muito próximo de empresários ricos e influentes,[5] sendo acusado de nepotismo após ignorar os procedimentos normais de licitação e designar três de seus amigos Republicanos como os corretores de seguros do condado, garantindo-lhes grandes comissões. A reação padrão de Agnew para tais críticas era demonstrar indignação moral, acusar seus oponentes de "distorções ultrajantes", negar qualquer irregularidade e insistir na sua integridade pessoal; segundo Cohen e Witcover, essas táticas foram depois reutilizadas quando Agnew precisou se defender as acusações de corrupção que acabaram com sua vice-presidência.[39]
Agnew foi contra Barry Goldwater, o favorito para conseguir a indicação Republicana para a eleição presidencial de 1964, e inicialmente apoiou o moderado senador Thomas Kuchel da Califórnia.[40] A candidatura do também moderado governador William Scranton da Pensilvânia fracassou na convenção partidária, assim Agnew deu seu apoio relutante para Goldwater, mas em particular opinou que a escolha de um candidato tão extremista quanto Goldwater custaria aos Republicanos qualquer chance de vitória.[41]
Governador de Maryland
[editar | editar código]Eleição
[editar | editar código]Agnew, enquanto seu mandato de quatro anos aproximava-se do fim, sabia que suas chances de reeleição eram baixas já que os Democratas do condado tinham resolvido suas desavenças.[39] Em vez disso, ele tentou conseguir a indicação Republicana para governador, vencendo a primária em abril por uma grande margem depois de conseguir o apoio dos líderes partidários.[42]
O Partido Democrata tinha três candidatos – um liberal, um moderado e um segregacionista – e eles batalharam pela indicação, que para a surpresa geral foi para o segregacionista George P. Mahoney, alguém perpetuamente malsucedido a cargos eletivos.[43][44] A candidatura de Mahoney dividiu o partido e provocou um candidato de um terceiro partido, Hyman A. Pressman, o Corregedor da Cidade de Baltimore. Uma organização chamada "Democratas por Agnew" floresceu no Condado de Montgomery, a área mais rica do estado, e os liberais de Maryland apoiaram Agnew.[45] Mahoney era um ferrenho oponente de habitações integradas e explorou a tensão racial com o slogan "Sua Casa é Seu Castelo. Protege-a!".[46][47] Agnew o caracterizou como um candidato da Ku Klux Klan e disse que os eleitores deveriam escolher "entre a chama brilhante, pura e corajosa da justiça e a cruz de fogo".[45] Agnew venceu em novembro com setenta por cento do voto negro,[48] conquistando 455 318 votos (49,5 por cento) contra 373 543 para Mahoney e 90 899 para Pressman.[49]
Foi revelado após a campanha que Agnew não relatou três supostas tentativas de suborno feitas em nome da indústria de caça-níqueis, envolvendo quantias de vinte, 75 e duzentos mil dólares, caso ele prometesse não vetar uma legislação que mantinha as máquinas legalizadas no sul do estado. Agnew justificou seu silêncio dizendo que nenhuma oferta real tinha sido feita: "Ninguém sentou na minha frente com uma maleta de dinheiro".[50] Também foi criticado por sua copropriedade de um terreno próximo de uma planejada ponte sobre Baía de Chesapeake. Oponentes afirmaram que havia um conflito de interesse, pois alguns de seus parceiros na empreitada estavam simultaneamente envolvidos em negócios com o condado. Agnew negou qualquer conflito ou impropriedade, afirmando que o terreno estava fora do Condado de Baltimore. Mesmo assim, ele vendeu sua participação.[51]
Governo
[editar | editar código]O governo de Agnew foi marcado por uma agenda política que incluiu reforma tributária, regulamentações de água potável e derrubada de leis contra casamentos interraciais.[4] Programas de saúde comunitários foram expandidos, bem como oportunidades de educação superior e emprego para pessoas de baixa renda. Medidas foram tomadas para acabar com a segregação em escolas.[52] Sua legislação para moradias justas foi limitada, aplicando-se apenas para novos projetos acima de um determinado tamanho.[53] Estas foram as primeiras leis do tipo aprovadas ao sul da Linha Mason–Dixon.[54] Suas tentativas de adotar uma nova constituição estadual foi rejeitada por um referendo.[55]
Agnew manteve-se um tanto distante da legislatura estadual,[55] preferindo a companhia de empresários. Alguns destes eram conhecidos de sua época como executivo do condado, como Lester Matz e Walter Jones, que foram alguns dos primeiros a encorajá-lo a concorrer a governador.[56] Sua proximidade com a comunidade empresarial foi percebida por funcionários públicos: "Parecia sempre haver pessoas ao redor dele que eram do ramo dos negócios". Alguns suspeitaram que, apesar dele próprio não ser corrupto, "deixou-se usar pelas pessoas ao seu redor".[34]
Ele apoiava os direitos civis publicamente, mas detestava as táticas militantes usadas por algumas lideranças negras.[57] Seu histórico lhe conquistou o apoio de Roy Wilkins, o líder da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, na eleição de 1966.[58] A tensão racial estava crescendo por todo o país impulsionada por um descontentamento dos negros e uma liderança de direitos civis cada vez mais assertiva. Ator de violências explodiram em várias cidades, inclusive em Cambridge em Maryland, causados por um discurso incendiário feito em 24 de julho de 1967 pelo estudante H. Rap Brown.[59] A principal preocupação de Agnew era manter a lei e a ordem,[60] acusando Brown de ser um agitador profissional, afirmando que "Espero que o prendam e joguem a chave fora".[61] Quando a Comissão Kerner, nomeada pelo presidente Lyndon B. Johnson para investigar as causas das agitações civis, relatou que o principal fator foi racismo institucional,[62] Agnew rejeitou essas conclusões, culpando o "clima permissivo e compaixão equivocado" e comentando: "Não foram os séculos de racismo e privação que culminaram num crescendo explosivo, mas sim... o fato de a transgressão da lei se ter tornado uma forma de dissidência socialmente aceitável e, por vezes, elegante".[63] Um boicote estudantil ocorreu em março de 1968 na Faculdade Estadual Bowie no Condado de Prince George, uma instituição historicamente negra, e Agnew novamente culpou agitadores externos e se recusou a negociar com os estudantes. Um comitê estudantil foi para Annapolis e exigiu um encontro com o governador, porém ele fechou a faculdade e ordenou mais duzentas prisões.[64]
Houve várias agitações e desordens pelos Estados Unidos depois do assassinato de Martin Luther King Jr. em 4 de abril de 1968.[65] O problema chegou em Baltimore em 6 de abril e pelos três dias seguintes a cidade ficou em desordem. Agnew declarou um estado de emergência e convocou a Guarda Nacional.[66] Seis pessoas morreram, mais de quatro quatro mil foram presas, houve mais de 1,2 chamados de incêndios e vários saques até a ordem ser restaurada.[65] Agnew convocou mais de cem lideranças negras moderadas para o Capitólio Estadual de Maryland, mas em vez do esperado diálogo construtivo, ele fez um discurso criticando-os duramente por sua incapacidade de controlar os elementos mais radicais e os acusando de uma retirada covarde ou mesmo cumplicidade.[67] Um dos delegados, o reverendo Sidney Daniels, respondeu ao governador, dizendo "Converse conosco como se fossemos damas e cavaleiros" antes de levantar e ir embora.[68] Outros fizeram o mesmo, com os restantes recebendo mais acusações enquanto Agnew rejeitava todas as explicações socioeconômicas para as desordens.[67] Muitos brancos dos subúrbios aplaudiram o discurso; mais de noventa por cento das nove mil respostas por telefone, carta ou telegrama o apoiaram, com Agnew conquistando homenagens de conservadores Republicanos como o governador John Williams do Arizona e o ex-senador William Knowland da Califórnia.[69] Esse encontro de 11 de abril foi um ponto de virada para os membros da comunidade negra. Eles sentiram-se traídos por terem elogiado as posições de Agnew sobre os direitos civis, com um senador estadual comentando: "Ele nos traiu ... ele pensa como George Wallace, ele fala como George Wallace".[70]
Candidato vice-presidencial
[editar | editar código]Antecedentes
[editar | editar código]A imagem de Agnew até os distúrbios de abril de 1968 era de um Republicano liberal. Desde 1964 ele tinha apoiado as ambições presidenciais do governador Nelson Rockefeller de Nova Iorque, tornando-se no início de 1968 o presidente do comitê popular "Rockefeller para Presidente".[71] Rockefeller chocou seus apoiadores em um discurso televisionado em 21 de março quando anunciou uma desistência aparentemente inequívoca da disputa, com Agnew sentindo-se consternado e humilhado; ele não tinha recebido nenhum aviso prévio da decisão apesar de seu papel bastante público na campanha de Rockefeller. Agnew considerou isso um insulto pessoal e um golpe contra sua credibilidade.[72][73]
Agnew, apenas dias depois, começou a ser cortejado pelos apoiadores do ex-vice-presidente Richard Nixon, cuja campanha para a indicação Republicana estava em andamento.[74] Agnew não tinha antagonismo algum contra Nixon e, após a saída de Rockefeller, indicou que Nixon poderia ser sua "segunda escolha".[73] Os dois se encontraram em Nova Iorque em 29 de março e estabeleceram uma boa relação.[75] As palavras e ações de Agnew depois das agitações de abril encantaram os membros conservadores de Nixon como Pat Buchanan, também tendo impressionado o próprio Nixon.[76] Rockefeller voltou para a disputa em 30 de abril e a reação de Agnew foi fria. Ele elogiou Rockefeller como um candidato potencialmente "formidável", mas não comprometeu seu apoio: "Muitas coisas aconteceram desde sua saída ... Acho que preciso reavaliar essa situação".[77]
Nixon foi entrevistado em meados de maio pelo jornalista David S. Broder do jornal The Washington Post e mencionou Agnew como um possível companheiro de chapa na eleição.[78] Agnew pelos meses seguintes continuou a se encontrar com Nixon e com seus principais auxiliares,[79] gerando a impressão para observadores que ele estava-se aproximando do lado de Nixon. Agnew ao mesmo tempo negou quaisquer ambições políticas maiores além de finalizar seu mandato de governador.[80]
Convenção
[editar | editar código]Nixon discutiu possíveis companheiros de chapa com sua equipe enquanto se preparava para a Convenção Nacional Republicana. Dentre os discutidos estavam o conservador governador Ronald Reagan da Califórnia e o mais liberal prefeito John Lindsay de Nova Iorque. Nixon achou que esses nomes de destaque poderiam dividir o partido, com Lindsay especialmente sendo inaceitáveis para os conservadores sulistas, assim procurou uma figura menos divisiva. Ele não indicou um preferido e o nome de Agnew não foi considerado nesta etapa.[81] Agnew tinha a intenção de ir para a convenção com a delegação de Maryland sem estar comprometido com um candidato.[82]
A convenção ocorreu em Miami Beach, na Flórida, entre 5 e 8 de agosto e Agnew abandonou sua posição e votou por Nixon.[83] Este conseguiu a indicação logo na primeira votação.[84] Nixon manteve-se em silêncio nas discussões que se seguiram sobre um companheiro de chapa enquanto as várias facções do partido achavam que poderiam influenciar sua escolha; o senador Strom Thurmond da Carolina do Sul chegou a afirmar em uma reunião que tinha poder de veto sobre o vice-presidente.[85] Estava claro que Nixon era um centrista, porém houve pouco entusiasmo quando ele propôs Agnew e assim outras possibilidades foram discutidas.[86] Alguns membros do partido achavam que Nixon tinha escolhido Agnew há algum tempo e que a consideração de outros candidatos era apenas uma farsa.[87][88] Nixon declarou que Agnew era sua escolha em 8 de agosto, após uma última reunião com conselheiros e líderes partidários, com isso sendo pouco depois anunciado para a imprensa.[89] Os delegados da convenção indicaram Agnew para a vice-presidência mais tarde no mesmo dia e então entraram em recesso.[90]
Agnew fez um discurso aceitando a indicação e falou para a convenção que tinha "uma profunda sensação da improbabilidade deste momento".[91] Ele ainda não era uma figura conhecida nacionalmente e a ampla reação sobre sua indicação foi "Spiro quem?"[92] Três pedestres foram entrevistados na televisão em Atlanta, na Geórgia, e reagiram quando perguntados se conheciam o nome: "É algum tipo de doença", "É algum tipo de ovo", "Ele é um grego que é dono daquela empresa de construção naval".[93]
Campanha
[editar | editar código]A chapa Nixon–Agnew enfrentou dois oponentes principais. O Partido Democrata, em uma convenção marcada por protestos violentos, indicou o vice-presidente Hubert Humphrey e o senador Edmund Muskie do Maine.[94] George Wallace, o segregacionista Governador do Alabama, concorreu como um terceiro candidato e a expectativa era que tivesse um bom desempenho no Sul Profundo.[95] Nixon se lembrava de suas restrições que tinha enfrentado como companheiro de chapa de Dwight D. Eisenhower nas eleições de 1952 e 1956, assim deu mais liberdade para Agnew deixou claro que ele tinha seu apoio.[96] Agnew também poderia interpretar o papel de "cão de ataque", como Nixon havia feito em 1952.[87]
Agnew inicialmente fez o papel de centrista, destacando seu histórico de direitos civis em Maryland.[97] Entretanto, ele rapidamente adotou uma abordagem mais beligerante à medida que a campanha progredia, adotando uma retórica forte de lei e ordem, um estilo que alarmou os liberais nortenhos do partido mas que foi bem recebido no sul. John N. Mitchell, o gerente de campanha de Nixon, ficou impressionado, porém alguns líderes partidários nem tanto; o senador Thruston Morton do Kentucky chegou a descrever Agnew como um "babaca".[98]
Agnew esteve nas notícias pelo decorrer do mês de setembro, geralmente como resultado daquilo que um repórter chamou de "banalidade ofensiva e algumas vezes perigosa".[99] Ele usou o termo derrogatório "polaco" para descrever poloneses-americanos, se referiu a um repórter nipo-americano como "o japa gordo"[100] e pareceu desconsiderar as más condições socioeconômicas ao afirmar que "se você viu uma favela, viu todas".[95] Agnew atacou Humphrey dizendo que este era leniente com o comunismo, um apaziguador como o ex-primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain.[101] Agnew foi caçoado por seus oponentes Democratas, com um comercial de Humphrey mostrando o texto "Agnew para vice-presidente?" sobre uma trilha de gargalhadas prolongadas de histéricas que se transformavam em uma tosse dolorosa sobre a mensagem final de "Seria engraçado se não fosse tão sério..."[102] Seus comentários indignaram muitos, mas Nixon não o conteve; tal populismo de direita tinha um forte apelo nos estados sulistas e era uma resposta eficaz a Wallace. A retórica de Agnew também foi popular em algumas áreas do norte,[103] ajudando a estimular a "reação branca" em algo menos definido por raça e mais sintonizados com a ética suburbana definida pelo historiador Peter B. Levy como "ordem, responsabilidade pessoal, a sacralidade do trabalho árduo, a família tradicional e a lei e a ordem".[104]
Ele sobreviveu no final de outubro a um artigo publicado no The New York Times que questionava suas transações financeiras em Maryland, com Nixon defendendo seu companheiro de chapa e acusando o jornal de "a forma mais vil de política de quinta categoria".[105] Os Republicanos ganharam a eleição de 5 de novembro por uma pequena margem no voto popular: aproximadamente quinhentos mil votos de um total de 73 milhões. A decisão no colégio eleitoral foi mais decisiva: 301 para Nixon, 191 para Humphrey e 46 para Wallace.[106] Os Republicanos perderam em Maryland por uma pequena margem,[107] porém Agnew foi creditado pelo pesquisador Louis Harris como tendo ajudado seu partido a vencer em vários estados do sul que poderiam ter facilmente sido vencidos por Wallace – Carolina do Sul, Carolina do Norte, Virgínia, Tennessee e Kentucky – bem como ter aumentado o apoio de Nixon nacionalmente nos subúrbios.[108] Caso Nixon tivesse perdido nesses cinco estados, ele teria apenas o número mínimo de votos eleitorais, 270, e qualquer deserção de um único eleitor teria jogado a eleição para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, na época controlada pelos Democratas.[109]
Vice-presidente
[editar | editar código]Transição e primeiros dias
[editar | editar código]Agnew ainda não sabia exatamente o que Nixon esperava dele como vice-presidente. Os dois se encontraram dias depois da eleição em Key Biscayne, na Flórida. Nixon tinha sido vice-presidente por oito anos e queria poupar Agnew do tédio e falta de função que sentiu algumas vezes no cargo. Eles falaram com a imprensa após a reunião e Nixon prometeu que Agnew não desempenharia as funções cerimoniais normalmente realizadas por vice-presidentes, mas sim que teria "novas responsabilidades que vão além do que qualquer vice-presidente já assumiu".[110] Nixon também disse que planejava aproveitar totalmente a experiência de Agnew como executivo de condado e governador ao lidar com questões entre governo federal e estados e em questões urbanas.[111]
Nixon estabeleceu a sede da sua transição presidencial em Nova Iorque, mas Agnew só foi convidado para se encontrar com ele no local em 27 de novembro, com eles conversando por uma hora. Agnew conversou com jornalistas em seguida e disse que se sentia "entusiasmado" com suas novas responsabilidades, mas não explicou quais eram. Ele viajou bastante durante a transição aproveitando sua nova posição. Passou suas férias em Saint Croix, nas Ilhas Virgens Americanas, onde jogou golfe com Humphrey e Muskie. Foi para Memphis, no Tennessee, onde assistiu ao Liberty Bowl, depois para Nova Iorque comparecer ao casamento de Julie Nixon, filha de Nixon, com David Eisenhower, neto de Eisenhower. Agnew era um torcedor do Baltimore Colts e em janeiro foi o convidado de honra de Carroll Rosenbloom, o dono do time, para assistir ao Super Bowl III, porém o Colts foi surpreendido e perdeu para o New York Jets pelo placar de 16–7. O vice-presidente na época ainda não tinha uma residência oficial e assim Spiro e Judy Agnew se mudaram para uma suíte do Sheraton-Carlton Hotel em Washington que tinha sido antes ocupada por Johnson durante sua vice-presidência. Apenas sua filha mais nova Kim se mudou junto com os pais, com os outros filhos ficando em Maryland.[112]
Agnew contratou uma equipe durante a transição que era formada por vários auxiliares que tinham trabalhado com ele em sua época de executivo de condado e governador. Contratou Charles Stanley Blair como seu chefe de gabinete, que tinha sido membro da Câmara dos Delegados de Maryland e Secretário de Estado de Maryland sob Agnew. Arthur Sohmer, seu gerente de campanha de longa data, tornou-se seu conselheiro político, enquanto o ex-jornalista Herb Thompson se tornou o secretário de imprensa.[113]
Foi empossado vice-presidente em 20 de janeiro de 1969.[114] Nixon inicialmente deu para Agnew um escritório na Ala Oeste da Casa Branca, a primeira vez para um vice-presidente, porém já em dezembro a sala foi passada para o vice-assistente Alexander Butterfield, com Agnew indo para o Edifício de Escritórios Executivos.[115] Nixon, pouco depois da posse, nomeou Agnew como o chefe do Escritório de Relações Intergovernamentais, para liderar comissões governamentais como o Conselho Espacial Nacional e o designou para trabalhar com governadores na redução de crimes. Ficou claro que o vice-presidente não faria parte do círculo íntimo de conselheiros do presidente. Nixon preferia lidar diretamente apenas com os poucos que confiava, ficando irritado que Agnew tentava lhe telefonar para falar sobre questões que Nixon considerava triviais. Agnew certa vez expressou suas opiniões sobre uma questão de política externa durante uma reunião de gabinete, o que irritou Nixon a ponto dele enviar H. R. Haldeman, o Chefe de Gabinete da Casa Branca, para informar o vice-presidente de que ele deveria ficar quieto sobre suas opiniões. Nixon reclamava que Agnew não sabia como a vice-presidência funcionava, mas nunca se encontrou com Agnew para explicar sua própria experiência na função. Herb Klein, o diretor de comunicações da Casa Branca, depois escreveu que Agnew deixou-se ser diminuído por conselheiros como Haldeman e Mitchell, com o tratamento "inconsistente" de Nixon para com Agnew deixou o vice-presidente exposto.[116][117]
O orgulho de Agnew tinha sido ferido pela cobertura negativa da imprensa durante a campanha, assim ele tentou melhorar sua reputação pelo desempenho assíduo de suas funções. Tinha se tornado comum o vice-presidente presidir o Senado apenas quando um voto de desempate era necessário, mas Agnew abriu todas as sessões nos primeiros dois meses de seu mandato e passou mais tempo presidindo em seu primeiro ano do que qualquer outro vice-presidente desde Alben W. Barkley. Foi o primeiro vice-presidente após a Segunda Guerra Mundial a nunca ter antes servido de senador, assim fez aulas de procedimentos da casa com Floyd M. Riddick, o Parlamentar do Senado, e com um funcionário do comitê Republicano. Ele almoçava com um pequeno grupo de senadores e inicialmente conseguiu construir bons relacionamentos.[118] Apesar de silenciado em questões de política externa, falava sobre questões urbanas nas reuniões de gabinete; quando Nixon estava presente, Agnew geralmente apresentava a perspectiva dos governadores. Foi elogiado por outros membros do gabinete quando presidiu uma reunião do Conselho Doméstico da Casa Branca na ausência de Nixon, mas, diferentemente de Nixon quando Eisenhower ficou doente, escolheu não sentar na cadeira do presidente. Mesmo assim, muitas das comissões para qual fora designou eram sinecuras, sendo apenas o chefe nominal.[119]
Ataques contra a esquerda
[editar | editar código]A imagem pública de Agnew no início de seu mandato era de um crítico intransigente dos protestos violentos que tinham marcado 1968 e continuaram durante sua vice-presidência. Ele inicialmente tentou adotar um tom mais conciliatório, acompanhando a abordagem dos discursos de Nixon depois da posse. Ele mesmo assim defendeu uma postura firme contra a violência,[120] afirmando em 2 de maio de 1969 durante um discurso em Honolulu, no Havaí, que "estamos testemunhando o surgimento de uma nova geração de justiceiros autoproclamados, os contramanifestantes, fazendo justiça com as próprias mãos porque as autoridades não acionam os policiais. Temos uma vasta maioria anônima do público americano em silenciosa fúria com a situação, e com bom motivo".[121]
Enormes protestos contra a Guerra do Vietnã estavam programados para 15 de outubro de 1969 e Phạm Văn Đồng, o primeiro-ministro do Vietnã do Norte, publicou uma carta no dia anterior apoiando essas demonstrações. Nixon não gostou disso, mas concordou com os conselhos de seus auxiliares de que o melhor era ficar quieto, em vez disso fez Agnew realizar uma coletiva de imprensa na Casa Branca durante a qual ele pediu para os manifestantes repudiarem o apoio do Vietnã do Norte. Agnew se saiu bem nessa tarefa e o presidente o encarregou de atacar os Democratas de forma geral, enquanto o próprio mantinha-se acima da contenda. Isto era análogo ao papel desempenhado por Nixon como vice-presidente de Eisenhower, assim Agnew foi apelidado de "Nixon de Nixon". O vice-presidente finalmente encontrou um papel que gostava no governo de Nixon.[122]
O presidente enviou Agnew para fazer vários discursos atacando seus oponentes políticos. O vice-presidente fez um discurso em Nova Orleães, na Luisiana, em 19 de outubro em que culpou elites liberais por tolerarem a violência de manifestantes: "o espírito do masoquismo nacional prevalece, encorajado por um grupo efeminado de esnobes insolentes que se autodenominam intelectuais".[123] No dia seguinte, durante um jantar Republicano realizado em Jackson, no Mississippi,[124] ele disse que "por muito tempo o Sul tem sido o alvo de ataques daqueles que se autodenominam intelectuais liberais[125] ... o caminho que eles estão seguindo acabará por enfraquecer e corroer a própria essência dos Estados Unidos".[126] Agnew negou que o Partido Republicano tinha uma estratégia para inflamar o racismo no sul do país para atrair votos, afirmando que o governo e os brancos do sul tinham muito em comum, incluindo a desaprovação das elites. Levy argumentou que tais comentários foram pensados para atrair brancos sulistas ao Partido Republicano e assim garantir a reeleição de Nixon e Agnew em 1972, e que a retórica do vice-presidente "pode ter servido de modelo para as guerras culturais dos próximos vinte a trinta anos, incluindo a afirmação de que os Democratas eram lenientes com crime, antipatrióticos e preferiam queimar a bandeira em vez de agitá-la".[127] Os ouvintes desses discursos ficavam entusiasmados, mas outros Republicanos, especialmente nas cidades, reclamaram ao Comitê Nacional Republicano que os ataques de Agnew eram exagerados.[128]
Nixon fez em 3 de novembro seu discurso da Maioria Silenciosa, pedindo que "a grande maioria silenciosa dos meus compatriotas americanos" apoiasse a política do governo sobre a Guerra do Vietnã.[129] Esse discurso foi bem recebido pelo público, mas nem tanto pela imprensa, que criticou as alegações de Nixon de que apenas uma minoria era contra a guerra. Buchanan, o redator de discursos do presidente, escreveu um discurso de resposta para ser feito por Agnew em Des Moines, no Iowa, em 13 de novembro. A Casa Branca trabalhou para garantir que o discurso fosse visto pelo máximo número de pessoas possível, sendo transmitido nacionalmente ao vivo na televisão, uma raridade para vice-presidentes.[130] Segundo Witcover, "Agnew aproveitou ao máximo".[131]
A imprensa tinha até então gozado de prestígio e respeito, apesar de alguns Republicanos reclamarem de parcialidade.[132] Entretanto, Agnew atacou a mídia e reclamou que após o discurso de Nixon, "suas palavras e políticas foram submetidas a análises instantâneas e críticas queixosas ... por um pequeno bando de comentaristas de emissora e analistas autonomeados, a maioria dos quais expressaram, de uma forma ou de outra, sua hostilidade em relação ao que ele tinha a dizer ... Era óbvio que eles já tinham tomado a decisão de antemão".[133] O vice-presidente também disse que "Pergunto-me se já existe alguma forma de censura quando as notícias que quarenta milhões de americanos recebem todas as noites são determinadas por um pequeno grupo de homens ... e filtrada por um punhado de comentaristas que admitem seus próprios preconceitos".[134]
Agnew falou em voz alta aquilo que muitos Republicanos e conservadores há muito sentiam em relação à imprensa.[133] Executivos de emissoras e comentaristas reagiram com ultrage. Julian Goodman, o presidente da NBC, afirmou que o vice-presidente tinha feito um "apelo ao preconceito ... é lamentável que o Vice-Presidente dos Estados Unidos negue à TV a liberdade de imprensa".[135] Frank Stanton, o presidente da CBS, acusou Agnew de tentar intimidar a imprensa, algo que o âncora Walter Cronkite concordou.[136] O discurso foi elogiado por conservadores dos dois partidos e deu a Agnew seguidores na direita.[137] O próprio considerou esse discurso como um de seus melhores momentos.[138]
O vice-presidente reforçou seu discurso anterior em 20 de novembro em Montgomery, no Alabama, quando atacou o The New York Times e o The Washington Post em outro discurso escrito por Buchanan. Os dois jornais tinham apoiado a candidatura de Agnew a governador de Maryland em 1966, mas dois anos depois o criticaram como inepto para a vice-presidência. O The Washington Post em especial tinha sido bastante hostil contra Nixon desde o caso de Alger Hiss na década de 1940. Agnew acusou os jornais de compartilharem um ponto de vista limitado e alheio à maioria dos estadunidenses.[139] Ele alegou que as publicações estavam tentando circunscrever seu direto de liberdade de expressão para falar o que acreditava, ao mesmo tempo que exigiam liberdade irrestrita para si mesmas, afirmando que "o tempo em que os comentaristas de televisão e até mesmo os cavalheiros do The New York Times gozavam de uma espécie de imunidade diplomática contra comentários e críticas ao que diziam acabou".[140]
Nixon decidiu tentar reduzir as tensões com a imprensa após o discurso de Montgomery e assim os ataques de Agnew terminaram. O índice de aprovação do vice-presidente saltou para 64 por cento no final de novembro por conta de seus vários discursos e até mesmo o The New York Times chegou a defini-lo como "um trunfo político formidável" para o governo.[141] Os discursos deram a Agnew uma base de poder entre os conservadores e aumentaram suas chances presidenciais para a eleição de 1976.[142]
Protestos e eleições
[editar | editar código]Agnew ficou popular em eventos de arrecadação por conta de seus ataques contra os oponentes do governo e talento com que proferia seus discursos. Viajou mais de quarenta mil quilômetros no início de 1970 em nome do Comitê Republicano Nacional,[4][143] falando em vários eventos do Dia de Lincoln (12 de fevereiro) e superando Reagan como o principal arrecadador do partido.[144] Seu envolvimento tinha grande apoio de Nixon. O vice-presidente, em um discurso em Chicago, no Illinois, atacou "sofisticados arrogantes", enquanto em Atlanta prometeu continuar falando abertamente para que não quebrasse a promessa feita à "Maioria Silenciosa, o americano comum, cumpridor da lei, que acredita que seu país precisa de uma voz forte para expressar sua insatisfação com aqueles que buscam destruir nossa herança de liberdade e nosso sistema de justiça".[145]
Ele continuou tentando aumentar sua influência com Nixon, enfrentando a oposição de Haldeman, que estava consolidando seu poder como a segunda pessoa mais poderosa do governo.[146] Agnew conseguiu ser ouvido em 22 de abril de 1970 em uma reunião do Conselho de Segurança Nacional. Um impedimento ao plano de Vietnamização de Nixon na guerra era o aumento de partes do Camboja controladas pelos vietcongues, estando longe do alcance de tropas sul-vietnamitas. Agnew achava que o presidente estava recebendo conselhos excessivamente pacifistas de William P. Rogers e Melvin Laird, respectivamente o Secretário de Estado e o Secretário de Defesa, assim afirmou que esses santuários vietcongues eram uma ameaça e deveriam ser atacados e neutralizados. Nixon escolheu atacar e esta decisão teve o apoio do vice-presidente.[147]
Protestos estudantis contra a guerra eram alvo do desprezo de Agnew. Em um discurso em 28 de abril em Hollywood, na Flórida, ele afirmou que a responsabilidade das agitações estavam com aqueles que fracassavam em guia-las, sugerindo que os ex-alunos da Universidade Yale demitissem seu presidente, Kingman Brewster Jr..[148][149] A incursão no Camboja causou mais protestos e em 3 de maio o vice-presidente foi para o Face the Nation da CBS defender a política. Quando foi destacado que Nixon, em seu discurso de posse, tinha pedido pela redução da tensão no discurso político, Agnew comentou que "Quando um incêndio acontece, um homem não entra correndo na sala sussurrando ... ele grita 'Fogo!' e eu estou gritando 'Fogo!' porque eu acho que 'Fogo!' precisa ser gritado aqui".[150] o Massacre da Universidade Estadual de Kent ocorreu no dia seguinte, mas Agnew não abaixou o tom de seus ataques, alegando que estava respondendo a "um mal-estar geral que defende o confronto violento em vez do debate".[151] Nixon mandou Haldeman dizer a Agnew para evitar comentários sobre os estudantes, mas o vice-presidente discordou e afirmou que só pararia se o próprio presidente ordenasse.[152]
A agenda política de Nixon tinha sido impedida pelo fato do Congresso ser controlado pelos Democratas, mas esperava reconquistar o Senado nas eleições legislativas de 1970.[143] O presidente ficou preocupado que Agnew era uma figura muito divisiva, inicialmente planejando junto com seus auxiliares restringir o papel de Agnew nas arrecadações e fazê-lo realizar um discurso padrão de campanha que evitaria ataques pessoais.[153] O presidente acreditava que atrair eleitores brancos de classe média e classe baixa em questões sociais levaria os Republicanos à vitória. Ele próprio planejou ficar fora da campanha ativa e deixar que Agnew atuasse como porta-voz da Maioria Silenciosa.[154]
Agnew discursou em 10 de setembro em Springfield, no Illinois, em nome do senador Ralph T. Smith, começando uma campanha que seria marcada por sua retórica agressiva e frases memoráveis. Ele atacou o "pusilânime hesitante" dos liberais, incluindo aqueles no Congresso, quem o vice-presidente afirmou que não se importavam com os trabalhadores de colarinho azul e de colarinho branco, o "Homem Esquecido da política americana".[155] Ao discursar para a Convenção Republicana da Califórnia em San Diego, Agnew atacou "os tagarelas do negativismo. Aqueles que formaram seu próprio Clube 4-H: os sem esperança, histéricos, hipocondríacos da história".[156][157] Ele disse que candidatos de qualquer partido que tivessem expressado opiniões radicais não deveriam ser eleitos, uma referência ao senador Charles Goodell de Nova Iorque, que era contra a Guerra do Vietnã.[158] Nixon acreditou que a estratégia estava funcionando e pediu para Agnew continuar durante uma reunião na Casa Branca em 24 de setembro.[159]
O presidente queria se livrar de Goodell, que tinha sido nomeado para o cargo após o assassinato de Robert F. Kennedy e se deslocado consideravelmente para a esquerda durante seu mandato. Goodell poderia ser sacrificado porque existia um candidato do Partido Conservador, James L. Buckley, que poderia ganhar a disputa. Nixon não queria ser visto engenhando a derrota de um colega Republicano, assim fez com que Agnew fosse para Nova Iorque apenas depois dele próprio ter deixado o país para a Europa, esperando que parecesse que o vice-presidente estava agindo por conta própria. Agnew, depois de ter discutido a longa distância com Goodell sobre o relatório da Comissão Scranton sobre violência nas universidades (Agnew o considerou muito permissivo), o vice-presidente fez um discurso em Nova Iorque em que, sem citar nomes, deu a entender que apoiava Buckley. O fato de Nixon estar por trás dessa maquinação não permaneceu em segredo por muito tempo, pois isso foi revelado por Murray Chotiner, um conselheiro tanto de Nixon quanto de Agnew; Goodell afirmou que ainda acreditava ter o apoio do presidente.[160] Nessa altura era considerado improvável que os Republicanos conquistassem o Senado, mas Agnew e Nixon fizeram campanha nos últimos dias antes da eleição. O resultado final foi decepcionante: os Republicanos ganharam apenas dois assentos no Senado e perderam onze disputas para governador. Agnew considerou que um ponto positivo foi a derrota de Goodell para Buckley, mas ficou decepcionado que Charles Stanley Blair, seu antigo chefe de gabinete, não conseguiu derrotar Marvin Mandel, seu sucessor como governador de Maryland, bem como um membro do Partido Democrata.[159]
Reeleição
[editar | editar código]Estava incerto ainda em 1971 se Agnew seria mantido na chapa quando Nixon fosse tentar a reeleição no ano seguinte. O presidente e seus conselheiros não gostavam muito da independência e franqueza do vice-presidente, estando ainda mais insatisfeitos com a popularidade de Agnew entre os conservadores que suspeitavam de Nixon. O presidente considerou substitui-lo por John Connally, o Secretário do Tesouro e ex-governador do Texas, além de um Democrata. Agnew, por sua vez, estava insatisfeito com muitas das posições de Nixon, especialmente em política externa, desgostando da reaproximação da China (sobre a qual não foi consultado) e achando que a Guerra do Vietnã poderia ser vencida com força suficiente. O presidente anunciou sua candidatura a reeleição no início de 1972 e ainda não estava claro se Agnew seria seu companheiro de chapa; Nixon finalmente pediu para Agnew continuar na chapa em 21 de julho e o vice-presidente aceitou. Um anúncio público foi feito no dia seguinte.[161]
Nixon instruiu Agnew a evitar ataques pessoais contra a imprensa e contra o candidato Democrata, o governador George McGovern da Dakota do Sul, devendo em vez disso destacar os positivos do governo e não comentar sobre o que poderia acontecer em 1976. Agnew foi recebido como um herói na Convenção Nacional Republicana em Miami Beach, pois os delegados o consideravam o futuro do partido. Seu discurso foi focado nas realizações do governo, mas criticou McGovern por apoiar a segregação de ônibus e alegou que, caso este fosse eleito, iria implorar para que os norte-vietnamitas devolvessem prisioneiros de guerra estadunidenses. O início do Caso Watergate foi uma questão menor na campanha; desta vez a exclusão de Agnew do círculo próximo de Nixon funcionou a seu favor, pois ele não sabia nada até ler na imprensa sobre a invasão do sede do Comitê Nacional Democrata. Ele foi informado por Jeb Magruder que funcionários do governo eram os responsáveis e imediatamente encerrou a discussão. O vice-presidente achou que a invasão era uma tolice e acreditava que os dois partidos espionavam o outro.[162] Nixon instruiu Agnew a não atacar o senador Thomas Eagleton do Missouri, o companheiro de chapa de McGovern, que abandonou a candidatura depois de revelações sobre seu passado de tratamentos para saúde mental. Eagleton foi substituído pelo ex-embaixador Sargent Shriver e Nixon repetiu as instruções anteriores.[163]
Nixon decidiu fazer campanha exaltando seu governo, mas mesmo assim queria que McGovern fosse atacado por suas posições e esta tarefa ficou com Agnew. O vice-presidente disse a imprensa que estava ansioso para descartar a imagem de ativista partidário que tinha adquirido em 1968 e 1970, querendo ser conhecido como alguém conciliatório. Ele defendeu Nixon no Caso Watergate e, quando McGovern afirmou que o governo era o mais corrupto da história do país, fez um discurso na Dakota do Sul descrevendo McGovern como um "candidato desesperado que parece não entender que o povo americano não quer uma filosofia de derrota e auto-ódio imposto a eles".[164]
A disputa nunca foi próxima, pois a chapa McGovern–Shriver terminou efetivamente antes mesmo de começar. Nixon e Agnew facilmente foram reeleitos, ganhando 49 estados (perdendo apenas em Massachusetts e no Distrito de Columbia) e conquistando mais de sessenta por cento dos votos. Agnew, tentando se posicionar como um favorito para 1976, fez campanha para vários candidatos Republicanos, algo que Nixon não fez. Os Democratas, apesar dos esforços do vice-presidente, facilmente mantiveram o controle das duas câmaras do Congresso, conquistando dois assentos no Senado, porém os Republicanos ganharam doze assentos na Câmara dos Representantes.[165]
Investigação criminal
[editar | editar código]George Beall, o Procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Maryland, abriu no início de 1972 uma investigação de corrupção no Condado de Baltimore que envolvia autoridades públicas, arquitetos, empresas de engenharia e empreiteiros de pavimentação.[166] Os alvos eram a liderança política do Condado de Baltimore na época.[167] Havia rumores que Agnew talvez estivesse envolvido, porém Beall inicialmente não levou a sério; Agnew não era executivo do condado desde dezembro de 1966 e assim qualquer infração potencialmente cometida por ele não poderia ser indiciada porque já estava prescrita. Como parte da investigação, a empresa de engenharia de Lester Matz foi intimida a apresentar documentos e ele, por meio de seus advogados, procurou imunidade em troca de cooperar com a investigação. Matz estava repassando para Agnew cinco por cento do valor de contratos conseguidos por sua influência, primeiro contratos durante seu mantado em Towson e depois contratos estaduais na época de Agnew como governador.[166][168]
Repórteres e agentes do Partido Democrata tinham ido atrás de rumores de corrupção de Agnew fora em seus anos em Maryland, mas nunca conseguiram encontrar provas substanciais.[169] O vice-presidente soube da investigação em fevereiro de 1973 e fez Richard Kleindienst, o Procurador-Geral, entrar em contato com Beall.[170] George White, o advogado particular de Agnew, se encontrou com Beall e este afirmou que o vice-presidente não estava sob investigação e que os procuradores fariam o máximo para proteger o nome de Agnew.[171] O advogado de Matz revelou para Beall em junho que seu cliente poderia provar que Agnew não apenas fora corrupto, mas que os pagamentos tinham continuado durante sua vice-presidência. O prazo de prescrição não impediria que Agnew fosse indiciado por esses pagamentos.[172] Beall informou Elliot Richardson, o novo Procurador-Geral, em 3 de julho. Nixon foi informado no final do mês por Alexander Haig, seu novo Chefe de Gabinete. Agnew já tinha se encontrado com Nixon e Haig para garantir sua inocência. Beall enviou em 1º de agosto uma carta ao advogado do vice-presidente informando formalmente que ele estava sob investigação por fraude fiscal e corrupção.[173] Matz estava disposto a testemunhar que tinha se encontrado com Agnew na Casa Branca e lhe dado dez mil dólares em dinheiro vivo.[174] Já Jerome B. Wolff, chefe da comissão de estradas de Maryland, tinha vários documentos que detalhavam "cada pagamento corrupto que ele tinha participado com o então governador Agnew", segundo Beall.[166]
Richardson, quem Nixon tinha ordenado que assumisse responsabilidade pessoal pela investigação, se encontrou com Agnew e seus advogados em 6 de agosto. O vice-presidente negou qualquer irregularidade, afirmando que a seleção da empresa de Matz tinha sido rotineira e que o dinheiro fora uma contribuição de campanha. A história foi divulgada no The Wall Street Journal logo no dia seguinte.[175] Agnew defendeu publicamente sua inocência e em 8 de agosto realizou uma coletiva de imprensa em que definia essas histórias como "malditas mentiras".[176] Nixon, durante uma reunião em 7 de agosto, reafirmou pessoalmente sua confiança em Agnew. Entretanto, Haig visitou o vice-presidente em seu escritório e sugeriu que caso as acusações pudessem ser provadas, Agnew deveria considerar agir antes de ser indiciado. A investigação do Caso Watergate, que levaria à renúncia de Nixon, nesta altura já estava bem avançada. Novas revelações sobre cada escândalo se tornaram algo quase diário nos jornais pelos dois meses seguintes.[176]
Agnew, sob pressão política cada vez maior para renunciar, assumiu a posição que um vice-presidente em exercício não poderia ser indiciado e se encontrou em 25 de setembro com Carl Albert, o Presidente da Câmara dos Representantes, pedindo por uma investigação. Ele citou como precedente a investigação que a câmara tinha feito em 1826 sobre o vice-presidente John C. Calhoun, que supostamente tinha recebido pagamentos impróprios enquanto era um membro do gabinete presidencial. Albert, que era o próximo na linha de sucessão presidencial depois de Agnew, respondeu que não seria apropriado que a câmara agisse sobre a questão antes dos tribunais.[177] O vice-presidente também apresentou uma moção para bloquear qualquer indiciamento alegando que tinha sido prejudicado por vazamentos do Departamento de Justiça. Ele também tentou influenciar a opinião pública, fazendo um discurso diante de um público amigável em Los Angeles, na Califórnia, em que defendeu sua inocência e atacou os procuradores do caso.[178] Mesmo assim, ele entrou em negociações para um acordo de confissão sob a condição que não seria preso.[179] Agnew anos depois afirmou em seu livro de memórias que aceitou o acordo porque estava cansado da crise, para proteger sua família e porque temia que não teria um julgamento justo.[180] Ele tomou sua decisão em 5 de outubro e negociações para o acordo ocorreram pelos dias seguintes. Agnew visitou Nixon na Casa Branca no dia 9 e informou o presidente de sua intenção de renunciar.[181]
Agnew compareceu a um tribunal em Baltimore em 10 de outubro e declarou nolo contendere para uma única acusação de evasão fiscal ocorrida em 1967. Richardson concordou que não haveriam mais indiciamentos e publicou um resumo de quarenta páginas sobre as evidências. Agnew foi multado em dez mil dólares e colocado em liberdade condicional sem supervisão por três anos. Imediatamente antes de entrar no tribunal, um ajudante entregou sua carta formal de renúncia para Henry Kissinger, o Secretário de Estado, e também enviou uma carta para Nixon afirmando que estava renunciando pelo bem do país. O presidente respondeu com uma carta concordando que a renúncia era necessária para evitar um período de divisão e incerteza, também elogiando Agnew por seu patriotismo e dedicação pelo bem-estar dos Estados Unidos.[182]
Pós-vice-presidência
[editar | editar código]Carreira posterior
[editar | editar código]Agnew se mudou para sua casa de verão em Ocean City, em Maryland, pouco depois de sua renúncia.[4] Ele pegou um empréstimo de duzentos mil dólares com o cantor Frank Sinatra, seu amigo, paraconseguir pagar contas urgentes de impostos e honorários advocatícios, bem como seus custos de vida.[183] Ele tinha esperanças de retomar sua carreira de advogado, mas foi expulso da ordem dos avogados em 1974 pela Corte de Apelações de Maryland, que o chamou de "moralmente obtuso".[184] Agnew fundou uma empresa, a Pathlite Inc., para poder ganhar dinheiro e pelos anos seguintes ela atraiu vários clientes internacionais.[5][185] Um dos acordos era um contrato para fornecer uniformes às Forças Terrestres Iraquianas e envolveu negociações com o presidente iraquiano Saddam Hussein e o presidente romeno Nicolae Ceaușescu.[5]
Agnew foi atrás de outros interesses comerciais: um negócio imobiliário malsucedido no Kentucky e uma parceria igualmente infrutífera com o golfista Doug Sanders para distribuição de cerveja no Texas.[186] Ele publicou em 1976 o romance The Canfield Decision, que era sobre o relacionamento conturbado de um vice-presidente com seu presidente. O livro teve críticas mistas, mas foi um sucesso comercial e Agnew recebeu cem mil dólares apenas pelos direitos de serialização.[187] O romance criou controvérsia para Agnew, pois George Canfield, sua contraparte ficcional, se refere à "conspirações judaicas e lobbies sionistas" e seu domínio sobre a mídia estadunidense, uma acusação que Agnew, enquanto viajava para promover o livro, afirmou ser real.[188] Isto gerou reclamações de Seymour Graubard da Liga Antidifamação de B'nai B'rith, bem como uma repreensão do presidente Gerald Ford, na época em sua campanha eleitoral.[189] Agnew negou antissemitismo ou intolerância: "Meu argumento é que, rotineiramente, a mídia americana ... favorece a posição israelense e não apresenta de forma equilibrada os outros lados da questão".[190] Agnew anunciou ainda em 1976 que estava estabelecendo a fundação beneficente "Educação pela Democracia", mas esta nunca mais foi discutida depois de B'nai B'rith acusá-la de ser uma fachada para as opiniões anti-Israel de Agnew.[186] Suas opiniões antissionistas aparentemente surgiram depois dele renunciar da vice-presidência; no cargo, ele expressou admiração por Israel e era amigável com seus funcionários judeus.[188]
Agnew estava com dinheiro suficiente em 1977 para se mudar para uma casa no The Springs Country Club na cidade de Rancho Mirage, na Califórnia, e pouco depois conseguiu pagar o empréstimo que tinha pego de Sinatra.[183] Nesse mesmo ano, Nixon, em uma série de entrevistas televisionadas com o jornalista britânico David Frost, afirmou que não teve papel direto algum nos processos que levaram à renúncia de Agnew e deixou implícito que seu vice-presidente havia sido perseguido pela mídia liberal: "Ele cometeu erros ... não acredito nem por um minuto que Spiro Agnew sentiu conscientemente que estava violando a lei".[191]
Agnew escreveu em 1980 a Fahd, Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, alegando que havia sido completamente exaurido por ataques sofridos dos sionistas, quem ele culpou por ter sido forçado a renunciar da vice-presidência. Ele pediu um empréstimo de dois milhões de dólares por três anos sem juros a ser depositado em uma conta na Suíça, sobre as quais os juros estariam disponíveis para Agnew. Também afirmou que usaria o dinheiro para "continuar meu esforço para informar o povo americano [do controle sionista] da mídia e outros setores influentes da sociedade americana". Agnew parabenizou Fahd por convocar uma jihad contra Israel, cuja declaração que a contestada cidade de Jerusalém era sua capital ele caracterizou como "a provocação final". Ele agradeceu o príncipe um mês depois por ter-lhe dado "os recursos para continuar a batalha contra a comunidade sionista aqui nos EUA".[192][193]
Ainda em 1980 ele publicou Go Quietly ... or Else, seu livro de memórias. Nessa obra ele defendeu sua total inocência das acusações que tinham levado à sua renúncia. Suas alegações de inocência foram desmentidas quando seu ex-advogado George White testemunhou que seu cliente tinha admitido ter recebidos subornos, dizendo que elas ocorriam "há milhares de anos".[194] Agnew também fez uma nova afirmação: que renunciou porque tinha sido avisado por Haig a "ir embora em silêncio" ou enfrentar uma ameaça não dita de assassinato. Haig negou a história, afirmando que era "absurda", com o ajudante de Agnew que supostamente repassou o aviso de Haig também negando, dizendo que "nunca houve qualquer ameaça de dano corporal".[195] Joseph P. Coffey, biógrafo de Agnew, também descreveu essa afirmação como "absurda".[187]
Agnew praticamente desapareceu da vida pública após a publicação de Go Quietly ... or Else.[187] Ele deu uma rara entrevista na televisão em 1980 e aconselhou os jovens a não entrarem na política, pois muito era esperado daqueles em cargos públicos.[5] Alunos do professor John Banzhaf na Escola de Direito da Universidade George Washington encontraram três residentes de Maryland dispostos a colocarem seus nomes em um processo que tentava fazer Agnew a repagar ao estado 268 482 de dólares, a quantia de subornos que ele supostamente tinha recebido, incluindo juros penalidades, pois era um funcionário público. Um juiz determinou em 1981 que "Sr. Agnew não tinha nenhum direito legal a esse dinheiro sob nenhuma teoria" e ordenou que ele pagasse 147,5 mil dólares pelas propinas e 101 235 dólares em juros.[196] Agnew recorreu da sentença duas vezes e fracassou em ambas, pagando o dinheiro em 1983.[197] Em 1989 ele tentou sem sucesso que essa soma fosse considerada dedutível de impostos.[194]
Agnew retornou brevemente para as notícias em 1987, quando em um processo no Tribunal Distrital Federal no Brooklyn revelou informações sobre suas atividades de negócios recentes por meio da Pathlite. Dentre outras atividades, ele tinha contratos em Taiwan e Arábia Saudita e representava um conglomerado da Coreia do Sul, uma fabricante de aeronaves da Alemanha Ocidental, uma fabricante de uniformes da França e uma companhia de dragagem da Grécia. Também representava a Hoppmann Corporation, uma empresa estadunidense tentando arranjar por trabalhos de comunicação na Argentina. Também discutiu com empresários argentinos uma possível apresentação de Sinatra no país. Agnew escreveu nos documentos do processo que "Tenho uma única vantagem, que é a capacidade de chegar até as pessoas mais importantes".[5]
Últimos anos e morte
[editar | editar código]Ele manteve-se distante das notícias e da política pelo restante de sua vida. Agnew afirmou que se sentiu "totalmente abandonado" e se recusou a atender todas as ligações de Nixon.[198] O ex-presidente morreu em 1994 e suas filhas convidaram Agnew para o funeral. Ele inicialmente recusou por ainda estar amargurado como foi tratado pela Casa Branca durante seus últimos dias como vice-presidente; Agnew tinha rejeitado nos anos anteriores várias tentativas de Nixon de fazerem as pazes. Ele foi persuadido a aceitar o convite e no evento recebeu uma recepção calorosa de seus antigos colegas.[199] Agnew disse que "Após vinte anos de ressentimento, decidi deixá-lo de lado".[200] No ano seguinte apareceu no Capitólio dos Estados Unidos para a inauguração de um busto seu, que seria colocado junto com bustos de outros vice-presidentes. Agnew comentou na ocasião que "Não sou cego nem surdo ao fato de que algumas pessoas sentem que... o Senado, ao encomendar este busto, está me concedendo uma honra que não mereço. Gostaria de lembrar a essas pessoas que... esta cerimônia tem menos a ver com Spiro Agnew do que com o cargo que ocupei".[201]
Agnew desmaiou em sua casa em Ocean City em 16 setembro de 1996. Foi levado para o Hospital Geral do Atlântico em Berlin, onde morreu na noite do dia seguinte aos 77 anos de idade. Sua causa de morte foi uma leucemia aguda não diagnosticada. Ele manteve-se em forma e ativo durante seus últimos anos, jogando golfe e tênis regularmente, e estava agendado para jogar tênis com um amigo no dia de sua morte. Seu funeral ocorreu em Timonium, em Maryland, e foi restrito principalmente a familiares; Buchanan e alguns membros do destacamento do Serviço Secreto de Agnew também compareceram.[201][202] Em reconhecimento por seu serviço como vice-presidente e veterano de guerra, uma guarda de honra composta por membros das forças armadas dispararam uma salva de tiros em sua homenagem.[203] Judy, sua esposa, morreu em Rancho Mirage em 20 de junho de 2012.[14]
Legado
[editar | editar código]O legado de Agnew na época de sua morte foi enquadrado em grande parte de forma negativa. As circunstâncias de sua renúncia e saída da vida pública, especialmente diante de sua declarada dedicação para a lei e ordem, contribuiu muito para gerar cinismo e desconfiança na população em relação a políticos de todas as matizes.[4] Sua desgraça fez com que um cuidado muito maior fosse aplicado para a escolha de candidatos a vice-presidente dos grandes partidos. A maioria dos companheiros de chapa selecionados após Agnew eram políticos veteranos, muitos dos quais posteriormente também tornaram-se candidatos a presidente por seu respectivo partido.[201]
Alguns historiadores mais recentes consideram Agnew como importante no desenvolvimento da Nova Direita, argumentando que ele deve ser honrado junto com os reconhecidos fundadores do movimento como Goldwater e Reagan; Victor Gold, ex-secretário de imprensa de Agnew, considerou que ele era o "João Batista" do movimento.[204] A cruzada de Goldwater em 1964, no auge do liberalismo johnsoniano, ocorreu muito cedo, mas o liberalismo estava em declínio na época da eleição de Agnew e, à medida que ele foi mais para a direita em 1968, o país foi junto.[201] A queda de Agnew chocou e entristeceu os conservadores, mas isto não inibiu o crescimento da Nova Direita.[205] Ele foi o primeiro político suburbano a alcançar um cargo público elevado e ajudou a popularizar a opinião de que boa parte da mídia nacional era controlada por liberais elitistas e efeminados.[204] Segundo Levy, Agnew "ajudou a remodelar os Republicanos como o Partido dos 'Americanos Médios' e, mesmo em desgraça, reforçar a desconfiança pública no governo".[206]
Para o próprio Agnew, apesar de sua ascensão desde suas origens em Baltimore até se tornar o primeiro na linha de sucessão presidencial, "não restava dúvidas de que o julgamento da história já havia caído sobre ele, o primeiro Vice-Presidente dos Estados Unidos a renunciar em desgraça. Tudo o que ele conquistou ou buscou conquistar em sua vida pública... foi sepultado naquele ato trágico e irrefutável".[207] Levy resumiu os "poderia ter sido" da carreira de Agnew da seguinte forma:
| “ | Não é difícil imaginar que se Agnew tivesse contestado as acusações de corrupção com metade da veemência com que Nixon negou a culpa pelo Caso Watergate – como Goldwater e vários outros baluartes conservadores queriam que ele fizesse – hoje talvez estaríamos falando de Democratas-Agnew e Agnewnomics, e considerado Agnew o pai do conservadorismo moderno.[208] | ” |
Referências
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- Spiro Agnew (em inglês) no Senado dos Estados Unidos
- Nascidos em 1918
- Mortos em 1996
- Naturais de Baltimore
- Norte-americanos de ascendência grega
- Alunos da Universidade Johns Hopkins
- Episcopais dos Estados Unidos
- Advogados dos Estados Unidos
- Republicanos de Maryland
- Governadores de Maryland
- Vice-presidentes dos Estados Unidos
- Mortes por leucemia
- Controvérsias da administração Nixon
- Políticos americanos do século XX
- Membros da administração Richard Nixon
