| Horemebe | |||||
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| Faraó | |||||
| Reinado | 1319 a 1292 a.C. | ||||
| Predecessor | Aí | ||||
| Sucessor | Ramessés I | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Morte | 1292a.C. Império Novo | ||||
| Sepultado em | KV57, Vale dos Reis | ||||
| Consortes | Amenia Mutenodjmete | ||||
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| Dinastia | Décima Oitava | ||||
Horemhebe, também grafado como Horemhab, Haremheb ou Haremhab (em egípcio antigo: ḥr-m-ḥb, “Hórus está em júbilo”)[1], foi o último faraó da XVIII Dinastia do Egito (c. 1550–1292 a.C.).
Seu reinado durou pelo menos 14 anos, aproximadamente entre 1319 a.C. e 1292 a.C.[2]. Ele não tinha vínculos de sangue com a família real anterior, exceto por seu casamento com Mutnedjmet, considerada, embora isso seja debatido, filha de seu predecessor, Aí.[3] Acredita-se que Horemhebe tenha tido origem comum, fora da família real.
Antes de ascender ao trono, Horemhebe exerceu o cargo de comandante-chefe do exército durante os reinados de Tutancâmon e de Aí. Após tornar-se faraó, promoveu uma ampla reorganização do Estado egípcio. Foi durante seu governo que tiveram início as ações oficiais contra os governantes do período de Amarna, razão pela qual Horemhebe é frequentemente visto como o responsável por restaurar a estabilidade do país após essa fase conturbada e profundamente divisiva da história egípcia.
Horemhebe mandou demolir monumentos de Aquenáton, reutilizando os blocos em seus próprios projetos arquitetônicos, e apropriou-se de monumentos originalmente erguidos por Tutancâmon e Aí. Presume-se que ele não tenha deixado filhos sobreviventes; por isso, designou como seu sucessor o vizir Paramessu, que viria a subir ao trono com o nome de Ramsés I.
Como faraó, Horemhebe promulgou o chamado Édito de Horemhebe, um importante documento legislativo de caráter penal, que estabelecia medidas destinadas a combater a corrupção e restaurar a ordem administrativa no Egito.
Biografia
[editar | editar código]Acredita-se que Horemhebe fosse originalmente oriundo de Hnes[4], na margem oeste do rio Nilo, próximo à entrada do Faium, uma vez que seu texto de coroação atribui formalmente ao deus Hórus de Hnes o papel de tê-lo estabelecido no trono.[5]
Sua filiação é desconhecida, mas considera-se que Horemhebe tenha sido um homem de origem comum. De acordo com o egiptólogo francês Nicolas Grimal, Horemhebe não deve ser identificado com Paatenemheb (“Aton está presente em júbilo”), que foi comandante-chefe do exército de Aquenáton. Grimal observa que a carreira política de Horemhebe teve início durante o reinado de Tutancâmon, período no qual ele “é representado ao lado desse rei em sua própria capela tumular em Mênfis”.[6]
Sabe-se que Horemhebe serviu no exército ainda durante o reinado de Aquenáton. Nos primeiros estágios de sua vida, atuou como “porta-voz real para os assuntos externos [do Egito]” e liderou pessoalmente uma missão diplomática junto aos governadores da Núbia. Essa iniciativa resultou em uma visita de retribuição do “príncipe de Miam (Aniba)” à corte de Tutancâmon, “evento retratado na tumba do vice-rei Huy”.[6]
Sob o reinado de Tutancâmon, Horemhebe ascendeu rapidamente, tornando-se comandante-chefe do exército e conselheiro próximo do faraó. Seus títulos oficiais estão detalhados em sua tumba de Sacará, construída quando ele ainda era apenas um alto funcionário. Entre eles figuram: “Príncipe hereditário, portador do leque à direita do rei e comandante-chefe do exército”; “assistente do rei em seus passos nos países estrangeiros do sul e do norte”; “mensageiro do rei à frente de seu exército nos países estrangeiros do sul e do norte”; e “companheiro único, aquele que permanece aos pés de seu senhor no campo de batalha, no dia do massacre dos asiáticos”.[6]
Segundo os registro do Papiro de Mes, seu reinado foi de longa duração, ainda que um homem que já era comandante militar do Norte, sob Aquenáton, dificilmente ainda estaria vivo sessenta anos após o reinado de Aí, como sugere o papiro. O mais provável é que Horemebe tenha ignorado os tempos do "adorador do disco solar" e seus sucessores, passando a contar seu reinado a partir da morte de Amenófis III. Isso parece estar confirmado nas listas oficiais de Seti I, em Abidos, onde Aquenáton não é referido como um faraó, mas como um "demônio".
Sucessão
[editar | editar código]Sob o governo de Horemhebe, o poder e a confiança do Egito foram restaurados após o caos interno do Período de Amarna. Esse processo criou as bases para a ascensão da XIX Dinastia, que alcançaria seu auge com faraós ambiciosos como Seti I e Ramsés II.
Em seus trabalhos de escavação em Sacará, o egiptólogo Geoffrey Thorndike Martin afirma que o sepultamento da segunda esposa de Horemheb, Mutnedjmet, bem como o de um bebê natimorto ou recém-nascido, foi localizado no fundo de um poço que dava acesso às câmaras da tumba de Horemhebe em Sacará. Segundo Martin, “um fragmento de um vaso de alabastro inscrito com um texto funerário dedicado à cantora de Amon e esposa do rei, Mutnodjmet, assim como fragmentos de uma estatueta que a representava, foram encontrados nesse local… O vaso funerário, em particular, por trazer seu nome e seus títulos, dificilmente teria sido utilizado no sepultamento de outra pessoa”.
Como Horemhebe não deixou herdeiros, ele designou seu vizir, Paramessu, como sucessor após sua morte, tanto para recompensar a lealdade deste quanto porque Paramessu possuía um filho e um neto, o que garantia a continuidade da sucessão real no Egito. Ao assumir o poder, Paramessu adotou o nome de Ramessés I e fundou a XIX Dinastia do Reino Novo.
O segundo sucessor de Horemhebe, Seti I, foi casado com uma possível filha de Horemhebe, chamada Tanodjmy [35]. Embora a decoração da tumba de Horemhebe no Vale dos Reis (KV 57) ainda estivesse inacabada no momento de sua morte, essa situação não é inédita: a tumba de Amenófis II, por exemplo, também não estava completamente concluída quando ele foi sepultado, apesar de ter reinado por 26 anos.[7]
Embora muitos dos monumentos de Horemhebe tenham sido posteriormente usurpados por Seti I, este deixou intacto o nome de Horemhebe no véu da barca de Amon sobre um pedestal no templo de Luxor, provavelmente por respeito. Algo semelhante já havia ocorrido anteriormente, quando o próprio Horemhebe preservou o nome de Tutancâmon no véu da barca de Amon no templo de Karnak.[8]
Horemebe no Cinema
[editar | editar código]- The Egyptian, filme estadunidense de 1954.
Referências
- ↑ Ranke, Hermann (1935). Die Ägyptischen Personennamen, Bd. 1: Verzeichnis der Namen (PDF). Glückstadt: J.J. Augustin. p.248. Consultado em 5 de janeiro de 2026
- ↑ Strudwick, Helen (2006). The Encyclopedia of Ancient Egypt. Nova York: Sterling Publishing Co., Inc. pp.82–83. ISBN978-1-4351-4654-9
- ↑ Hornung, Erik; Krauss, Rolf; Warburton, David, eds. (2006). «Chronology table». Ancient Egyptian Chronology. Col: Handbook of Oriental Studies. [S.l.]: Brill. p.493. ISBN9789004113855
- ↑ Hnes é o nome em egípcio antigo da cidade; posteriormente ela foi nomeada como Heracleópolis Magna por autores clássicos; o nome moderno é Ihnasya el-Medina.
- ↑ Gardiner, Alan (1953). «The coronation of king Haremhab». Journal of Egyptian Archaeology. 39: 14, 16, 21
- 1 2 3 Grimal, Nicolas (1992). A History of Ancient Egypt. [S.l.]: Blackwell. p.242
- ↑ Hawass, Zahi A.; Saleem, Sahar (2016). Scanning the Pharaohs: CT Imaging of the New Kingdom Royal Mummies. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN978-977-416-673-0. Consultado em 5 de janeiro de 2026 – via Google Books
- ↑ «Reliefs and Inscriptions at Luxor Temple, Volume 1: The Festival Procession of Opet in the Colonnade Hall». Institute for the Study of Ancient Cultures. Consultado em 5 de janeiro de 2026
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