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Quenifra
Khénifra • Jenifra • Xnifra • خنيفرة | |
|---|---|
Município | |
| Apelido(s) | Alhamra (a vermelha) |
| Localização de Quenifra em Marrocos | |
| Coordenadas: 32° 56′ N, 5° 40′ O | |
| País | Marrocos |
| Região (1997-2015) | equinez-Tafilete |
| Província | Quenifra |
| Altitude | 860m |
| População | |
| •Total (2004)[1][2] | 71 522 hab. |
| •Estimativa(2012) | 82 740 |
| Código postal | 54000 |
| Sítio | khenifra.ws |
Quenifra[3] (grafia em francês: Khénifra; em berbere: Jenifra; em berbere: Xnifra; em árabe: خنيفرة) é uma cidade do centro de Marrocos, capital da província homónima, que faz parte da região de Meknès-Tafilalet. Em 2004 tinha 71 522 habitantes[1] e estimava-se que em 2012 tivesse 82 740 habitantes.[2]
A cidade, capital histórica dos Berberes zaianes, encontra-se no eixo Fez-Marraquexe, das quais dista, respetivamente, 165 e 315 quilómetros. Ocupa um planalto que é atravessado pelo rio Morbeia (Oum Errabiaa), o qual passa pela cidade, e é rodeada por quatro montanhas com mais de 2 000metros, que a isolam das regiões vizinhas.
A geografia local contribui para acentuar as características continentais do clima, caracterizado por invernos rigorosos e muito frios (as temperaturas chegam a descer aos 15°C negativos) e verões muito quentes. A região tem numerosos lagos, pelos quais a cidade é conhecida.
Etimologia
[editar | editar código]O nome tem origem no verbo amazigue khanfar, que significa "agredir". o que está relacionado com um facto histórico. A certa altura, a cidade estava foi tomada pela força pela tribo dos Ait Bouhaddou. Para manifestar a sua hegemonia sobre a cidade, os zaianes, outra tribo berbere, fazem de Quenifra uma zona de controle para os não zaianes, estabelecendo uma espécie de sistema aduaneiro para os viajantes em trânsito, os quais eram obrigados a pagar uma taxa. Segundo outra versão anedótica, a etimologia provém da história de um homem forte que agredia quem passava.
O topónimo pode ainda designar o local onde se têm lugar combates de akhanfer, uma luta berbere semelhante ao wrestling que é muito praticada no Médio Atlas.
O nome pode ainda estar relacionado com a geomorfologia local: a cidade situa-se encravada entre quatro montanhas (Alhafra). A alcunha Quenifra Alhamra ("Quenifra, a Vermelha") deve-se à coloração das terras da região.
História
[editar | editar código]A região de Quenifra sempre teve grande valor estratégico, pois permite controlar o acesso às regiões de Tadla, a sul e de Fez e Taza, a norte, apesar da tenacidade guerreira dos seus habitantes.
Os dois monumentos mais antigos da região atestam o passado da região. A casbá (fortaleza) de Mouha ou Hammou Zayani (homónima de um líder da resistência às forças coloniais francesas do século XX), foi construída pelo emir almorávida Iúçufe ibne Taxufine à beira do Oum Errabiaa e foi restaurada pelo sultão alauita Mulei Ismail em 1688, usando prisioneiros portugueses presos em Mequinez. A reconstrução da casbá inseria-se no reforço do eixo estratégico entre Mequinez, então a capital imperial, e Marraquexe.
A casbá de Adakhssal, a 15km da cidade e a ponte da cidade sobre o Oum Errabiaa, conhecida localmente como "portuguesa", foram provavelmente construída na mesma época da casbá de Quenifra.
Antes da chegada das tropas do sultão HaçaneI em 1877, Quenifra mais não era que um ponto de transição de transumância. Só depois disso Quenifra se tornou uma cidade.
Invasão francesa e pacificação
[editar | editar código]Quenifra foi tomada em junho de 1914 por uma força da Legião Estrangeira composta por senegaleses, argelinos e gumis marroquinos do 1º Regimento de Atiradores Marroquinos recrutados na região de Chaouia, sob o comando do generais Ditte, Poeymirau e Charles Mangin. Este último tinha adquirido uma reputação lendária em Marrocos durante a campanha nos territórios entre as regiões de Casablanca e a planície de Tadla; era considerado um grande estratego militar que poderia evitar o confronto direto com os zaianes antes da submissão das tribos que viviam desde Chaouia até aos confins do território dos zaianes.
Segundo o diário das marchas e operações da 2ª bateria do 1º Regimento de Artilharia de Montanha entre 6 de setembro e 16 de outubro de 1913, o comando das tropas em Marrocos estava consciente dos riscos de um confronto direto com os zaianes durante a campanha de Marrocos de 1907-1914. Nestes relatórios, Charles Mangin descreve com precisão as diferentes fases da sua campanha.
A 13 de novembro os rebeldes comandados por Mouha ou Hammou lançam um contra-ataque. Mouha ou Hammou tinha conseguido unir pela primeira vez diversas tribos vizinhas — além de zaianes, havia membros das tribos Ichkirn Elkbab, Aït Ihnd Krouchen e mesmo dos Aït Hdiddou e dos Aït Atta entre os rebeldes. O assalto resultou na na batalha de Elhri, a 20 quilómetros de Quenifra, imprudentemente iniciada pelo coronel Laverdure. A pesada derrota dos Franceses obriga à evacuação da casbá, ocupada pelos legionários desde junho de 1914. A resposta dos Franceses não tarda e em pouco tempo conseguem retomar a região, isolar os zaianes, restringindo-lhes o seu território e obrigando-os a procurar refúgio nas montanhas. O bloqueio dos zaianes conclui-se com êxito, permitindo que a fértil planície de Tadla, o chamado celeiro de Marrocos, fosse colocado em segurança contra os ataques daquela tribo.
Após a submissão da maior parte dos chefes tribais do Médio Atlas central, nomeadamente de Mouha Ou Saïd Ouirra de El Ksiba e Mohand N'hamoucha de El Hajeb e de outras tribos das planícies, os legionários de Charles Mangin e de Paul Henrys controlam a região de Quenifra, embora a pacificação da região só fique concluída oficialmente em 2 de junho de 1920 com a submissão do paxá Hasan Amahzoune ao general Poeymirau, um colaborador próximo do marechal Lyautey, o residente geral (governador colonial) do Protetorado Francês do Marrocos.
Após a pacificação
[editar | editar código]A cidade não se desenvolveu durante o protetorado, pois fazia parte do que os colonizadores chamavam "Marrocos inútil".
Em 1930 ocorreram manifestações contra o Dahir berbere, o decreto do sultão que alterava o sistema judicial tradicional nas regiões tribais berberes, onde a Charia (lei islâmica) já não era aplicada, e cujo objetivo era separar os Berberes das comunidades árabes. O Dahir berbere era apoiado pelos Franceses, a quem convinha a desunião entre Berberes e Árabes e a quem o decreto abria caminho para tomarem posse de terras tribais berberes, por alguns caides, liderados por Thami El Glaoui e por uma elite de intelectuais hostis aos Berberes.
Em agosto de 1934 ocorrem novamente manifestações contra o Dahir berbere, com greves e orações evocando o "Alatife" (nomes de Alá) pedindo a Deus que os Berberes não fossem separados dos seus irmãos Árabes. Este movimento de protesto, lançado pela elite burguesa de Fez formada no ensino tradicional, irá liderar a resistência até à independência em 1956.
Em agosto de 1953 a deposição do sultão MaoméV pelos Franceses desencadeia uma vaga de descontentamento na população que não pára de crescer até conduzir à chamada revolução de Quenifra — a 20 de agosto de 1955, no aniversário da deposição de MaoméV, ocorre uma insurreição na cidade. São mortos três jornalistas e uma vaga de protestos eleva-se nas cidades de Oued Zem, Immouzer Marmoucha e Casablanca. A revolta foi duramente reprimida por ordem de Gilbert Grandval, nomeado residente-geral em plena crise franco-marroquina em junho de 1955, e especialmente sangrenta para a população de Quenifra, sobretudo para as tribos zaianes que cercavam a cidade. O comandante das tropas de Marrocos, Raymond Duval, ordenou um massacre que se, segundo as números oficiais — qualificados de ridículas por Charles-André Julien[carecede fontes?] — se cifrou em 700 mortos marroquinos e 49 europeus. Oued Zem foi especialmente fustigada pelo massacre. Raymond Duval morreu nas montanhas de Quenifra a 22 de agosto de 1955 quando o avião onde seguia explodiu.
Notas e referências
[editar | editar código]- Texto inicialmente baseado na tradução dos artigos «Khénifra» na Wikipédia em francês(acessado nesta versão)e «Jenifra» na Wikipédia em castelhano(acessado nesta versão).
- 1 2 «Recensement général de la population et de l'habitat 2004». www.hcp.ma (em francês). Royaume du Maroc - Haut-Comissariat au Plan. Consultado em 18 de fevereiro de 2012
- 1 2 «Maroc: Les villes les plus grandes avec des statistiques de la population». gazetteer.de (em francês). World Gazeteer. Consultado em 18 de fevereiro de 2012 [ligação inativa]
- ↑ Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira Vol. XVII. Lisboa: Editorial Enciclopédia. 1950s. p.565
Bibliografia
[editar | editar código]- Bennouna, Mehdi (2010), Héros sans gloire, ISBN9782316001186 (em francês), Paris: Paris Mediterranee, consultado em 24 de dezembro de 2013
- Berger, François (1929), Moha Ouhammou le zayani (em francês), Atlas
- Bernie, Georges (1945), La bataille d'El Hri (em francês), Gauthey
- Bernie, Georges (1945), "MohaOu Hammou, guerrier berbère (em francês), Gauthey
- Delacre, Jean, Le Maroc grandeur nature (em francês), MEEM
- Ellingham, Mark; McVeigh, Shaun; Jacobs, Daniel; Brown, Hamish (2004), The Rough Guide to Morocco, ISBN9-781843-533139 (em inglês) 7ª ed. , Nova Iorque, Londres, Deli: Rough Guide, Penguin Books
- Guennoun, Saïd (1933), La Montagne Berbère: Les Ait Oumalou et le Pays Zaïan (em francês), Rabat: Oumnia
- Guennoun, Saïd (1934), La voix des monts, Mœurs de guerres berbères (em francês), Rabat: Oumnia
- Guillaume, André; Guillaume, Augustin Léon (1946), Les berbères marocains et la pacification de l’Atlas Central(1912-1933) (em francês), R. Julliard
- Mellouki, Coronel Mohamed (23 de abril de 2012). «L'affaire Moulay Bouazza, un exemple de l'utopie révolutionnaire.». www.OujdaCity.net (em francês). Consultado em 24 de dezembro de 2013
- Olsen, Miriam Rovsing (1997), Chants et danses de l'Atlas (Maroc), ISBN9782742712441 (em francês), Cité de la musique / Actes Sud
- Peyron, M. (2005), «Khénifra», Encyclopédie berbère (em francês), 27, Edisud, pp.4236-4239, consultado em 24 de dezembro de 2013
- Séhimi, Mustapha (1989), «Révolution française et mouvement national marocain», Revue du monde musulman et de la Méditerranée, ISSN2105-2271 (em francês) (52–53): 218–228, doi:10.3406/remmm.1989.2302, consultado em 24 de dezembro de 2013
- Théveney, Jean (1930), «Souvenir de l'épopée Marocaine. Quelques épisodes de la Pacication des Zaians. Le drame d'El Herri (13 novembre 1914)», Argel: Imprimerie Charles Zamith & Cie, Bulletin de la Société de géographie d'Alger et de l'Afrique du Nord, ISSN1011-8322 (em francês) (121), consultado em 24 de dezembro de 2013
- La pacification du Maroc / Le Lt-colonel Th. Delay (em francês), Paris: Éditions Berger-Levrault, 1952
- «Journal des marches et opérations de la 2ème batterie du 1er Régiment d'Artillerie de Montagne pour la période du 6 septembre 1912 au 16 octobre 1913». vinny03.perso.neuf.fr (em francês). Consultado em 18 de fevereiro de 2012
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Ligações externas
[editar | editar código]- «Parc National de Khénifra». ma.chm-cbd.net (em francês). Clearing House Mechanism on Biodiversity of Morocco - Convention on Biological Diversity. 7 de outubro de 2011. Consultado em 18 de fevereiro de 2012
- Sefrioui, Lila (25 de junho de 2010). «Les parcs nationaux entre Moyen et Haut Atlas». www.lesoir-echos.com (em francês). Le Soir. Consultado em 24 de dezembro de 2013
- «Khénifra». www.maroctourisme.org (em francês). Consultado em 18 de fevereiro de 2012
- «Monuments, sites et zones classés "patrimoine national"». www.minculture.gov.ma (em francês). Ministério da Cultura de Marrocos. Consultado em 24 de dezembro de 2013
- «Les tapis berbères». www.association-tiwizi-suisse.ch (em francês). Tiwizi Association Berbero-Suisse pour la solidarité. Consultado em 24 de dezembro de 2013. Arquivado do original em 19 de outubro de 2013
- «Le pays de Khénifra» (PDF). www.rdv21.org (em francês). Rendez Vous 21. Consultado em 18 de fevereiro de 2012
- Juin, marechal. «La brigade marocaine a la bataille de La Marne. La brigade marocaine du 1er au 17 septembre 1914. Senlis, 11er et 2 septembre 1914». 1914ancien.free.fr (em francês). 1914 - Première bataille de La Marne - First Battle of The Marne. Consultado em 24 de dezembro de 2013
- «Carte de Zayane». tribusdumaroc.free.fr (em francês). Consultado em 24 de dezembro de 2013
- Bencheikh, Souleïman (março de 2011). «Siba, révoltes et révolution». www.sbencheikh.com (em francês). Zamane. Consultado em 24 de dezembro de 2013
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